Leitura de domingo: Paulo Borges na Glam

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Uma das coisas mais sublimes que pode acontecer na vida de um jornalista é a gente entrevistar alguém que admira e descobrir que essa pessoa é realmente tudo aquilo que a gente imagina.

Foi o que aconteceu uns meses atrás quando entrevistei o Paulo Borges

Quem no mundo da moda não conhece e admira esse cara, não é? Mas o bacana é que, na entrevista, vi o quanto ele é inteligente e tem uma visão de moda sensacional, diferente de muita gente que vive a moda somente pela superficialidade.

Como ele mesmo disse, não está na moda só pela roupa. É um processo muito mais amplo.

E é assim que eu penso também, por isso adorei escrever essa matéria que saiu na última revista Glam. 

A Glam é distribuída gratuitamente e você pode pegar seu exemplar na banca do Tota, em Petropólis. E a matéria com o Paulo Borges você pode ler agora nesse domingo ensolarado 😀

SEU NOME É MODA*

Visitando Natal para divulgar um projeto que movimenta a moda e a criatividade em todo o país, Paulo Borges conversa com a Glam e mostra que é sim tudo aquilo que a gente imagina: talentoso, inteligente, articulado, visionário, genial… ops! Faltaram adjetivos! Ele é o rei da moda brasileira e conhecer sua história ajuda a descobrir o porquê.

 

Em algum momento da década de 80 o futuro da moda brasileira esteve seriamente ameaçado. Paulo Borges nasceu em São José do Rio Preto e chegou a São Paulo no início dos anos 80 para cursar faculdade de Computação e Comércio Exterior. Quase seguiu carreira nessa área, mas um belo dia um amigo precisou de ajuda num desfile de moda e lá foi ele salvar o rapaz. Pronto. A partir daí não parou mais de criar e produzir. Tivesse seguido o caminho da faculdade de computação, o São Paulo Fashion Week não teria sido criado e a moda brasileira não teria evoluído tanto nas duas últimas décadas.

Conversei com Paulo Borges quando ele esteve em Natal divulgando o Movimento Hotspot (ver box) e fiquei surpresa ao ouvir que ele começou a trabalhar com moda “muito por acaso”, como gosta de dizer. Confesso que esperava mais um discurso padrão, do tipo “sempre gostei de moda e sonhava com isso desde criança”. Mas o rei da moda brasileira começou mesmo ajudando a organizar o desfile da loja do amigo, quando nem sabia como se fazia um desfile. “Na verdade eu não sabia o que ia fazer. Fui pra lá pra ajudar  e o que apareceu fui fazendo. Acabou que gostei de fazer aquilo e as coisas foram acontecendo de uma maneira muito natural, até que alguém me indicou para trabalhar com produção de moda na Vogue”, relembra.

Na revista ele foi assistente de Regina Guerreiro. O ano era 1982 e Regina já era uma das mais importantes figuras da moda brasileira. “Quando eu fui trabalhar com a Regina eu não sabia quem era a Regina. Só depois eu descobri que ela era bem maior que a moda”.

Esse transcender a moda que Paulo aponta como característica de Regina Guerreiro também passou a ser uma característica dele. Logo o rapaz enxergou que havia caminhos bem mais ousados para se trilhar na moda brasileira. Percebeu que gostava mais de fazer desfiles e eventos do que trabalhar em revista, e partiu para a produção. Começou com o Phytoervas Fashion. O evento evoluiu para o Morumbi Fashion, e logo depois São Paulo Fashion Week.

De lá pra cá as principais transformações da indústria da moda no país foram alinhavadas por Paulo Borges. Hoje ele é dono da Luminosidade, empresa que funciona como uma plataforma de geração de conteúdo relacionado à moda.  A luminosidade cria e desenvolve diversos projetos – das semanas de moda a publicações como a revista ffw Mag!.

Paulo Borges sempre enxergou a moda como um sistema complexo, que vai muito além da roupa. Por isso ele passa longe do deslumbramento que cerca muita gente que trabalha no “mundo fashion”. É o articulista mais importante da indústria têxtil brasileira, e nas ultimas eleições presidenciais promoveu encontros onde entrevistou todos os candidatos para descobrir as propostas de cada um para o setor. Para ele, falta à moda brasileira um plano de desenvolvimento de longo prazo. Também falta educação e qualificação. O número de faculdades de moda que cresce a cada dia no país não significa mais profissionais competentes atuando no setor. Quantidade não é sinônimo de qualidade. “A educação no Brasil se tornou muito comercial, todo mundo busca números, as faculdades querem ter turmas numerosas, mas a qualidade do que está sendo ensinado em muitos lugares é questionável”, lamenta.

O resultado é que o Brasil está (de)formando profissionais que não entendem exatamente o processo da moda. A falta de informação gera ideias erradas e muito deslumbramento. É o mito de que trabalhar com moda é só glamour.  Essa falta de conhecimento gera desvalorização de profissionais importantes na cadeia de produção. “Todo mundo quer ser estilista. O jovem quer estudar moda, acha lindo, artístico, glamuroso, mas não sabe que tem que ter muita técnica e dedicação envolvida no processo. Profissionais como a costureira e a piloteira são desvalorizadas. A pessoa não entra na faculdade de moda querendo aprender a costurar, tem outra visão do que é fazer moda. Deslumbrada, estereotipada. E esse deslumbramento vem da falta de informação” explica Paulo Borges.

Apesar disso, ele é otimista em relação ao futuro da moda brasileira. E não há como não ser. O setor cresceu e se desenvolveu nos últimos anos, mesmo remando contra a maré. Apesar da falta de uma política nacional para o setor têxtil, o brasileiro consome moda como nunca, o que tem fortalecido o mercado.

Com tanta gente querendo comprando – e gostando de – moda, pode-se falar uma moda com identidade brasileira? Isso foi o que a indústria da moda perseguiu durante anos, mas, na opinião de Paulo Borges, esse processo foi atropelado pela globalização da informação. “Não existe mais moda de país em lugar nenhum do mundo. Existe moda de pessoas. É o olhar individual criativo de cada um. É um resultado da globalização. Não a globalização política, mas a globalização da informação. Se eu estou usando uma peça que chama atenção de alguém, a pergunta não é mais de que país ou de onde é, mas sim de quem é. E isso é fascinante”, opina.

Vivemos a era de uma moda global, onde as particularidades e as diferenças vem da vivência e da interpretação pessoal de cada criador.  E essa era tem a bênção do rei Paulo Borges.

 

Movimento Hotspot

“A gente não está na moda só pela roupa. É um processo muito mais amplo, que envolve fotografia, design, arte e muitas outras coisas”. Essa frase de Paulo Borges diz muito sobre seu mais novo projeto, o Movimento Hotspot.

Realizado através da Lei Rouanet, com patrocínio de empresas como Vale do Rio Doce e Riachuelo, o Movimento Hotspot é uma plataforma de divulgação de trabalhos relacionados à criatividade nas mais diversas áreas. O projeto recebe inscrições de pessoas de várias partes do país através do site. Os participantes exibem um vídeo e um texto explicando sua ideia, e as melhores serão premiadas. Os prêmios variam entre R$ 10.000 e R$ 200.000 dependendo da área de atuação.

Paulo Borges viajou o Brasil inteiro divulgando o Movimento Hotspot e tirando dúvidas dos participantes. A ideia é descobrir e premiar pessoas criativas em todo o país, descentralizando o processo que hoje ainda está concentrado nos grandes centros do país – São Paulo e Rio de Janeiro.

É a moda ajudando a descobrir a diversidade que existe ainda escondida em um país de dimensões continentais como o Brasil.

 

*Texto: Gladis Vivane / Fotos: Giovanna Hackradt

 

 

 

 

 

 

 

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O amor nos tempos do Instagram*

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*Texto originalmente publicado na Revista Versailles #19. Mais uma vez inspirado em “causos” da vida real. O texto passado rendeu muita polêmica (MAMILOS!) e até fight nos comentários. Vamos ver se dessa vez a paz reina no blog ou alguém aparece para se sentir ofendida pela noiva que inspirou a coluna 😀 

O amor nos tempos do Instagram

Quase não acreditei quando ouvi a história, mas dia desses uma noiva não aguentou esperar o fim da cerimônia para mostrar nas redes sociais que estava casando de fato. Ainda no altar, sacou um iPhone 4s (com capinha de renda branca pra combinar com o vestido) e disparou: “Padre, sorria! O senhor está no Instagram”. O coitado do padre, alheio às novas tecnologias, deve ter imaginado que Instagram é uma espécie de ante-sala do inferno. Um novo apelido para o purgatório.

É o casamento nos tempos das mídias sociais, quando tudo tem que ser compartilhado “em tempo real”. E o real da frase refere-se a “realmente inapropriado”.

É maravilhoso o mundo de novas possibilidades que as redes sociais nos proporcionam. Poder mostrar para a sua prima que está morando fora do país como está sendo a sua festa aqui no Brasil. Mandar foto da sua entrada na igreja para aquela amiga de infância, que mora longe e não conseguiu folga no trabalho para vir à sua festa. Tudo isso é impagável e deve mesmo ser aproveitado. Mas o ímpeto de fotografar tudo e jogar na internet deve ser controlado. Interromper uma cerimônia para isso não é lá muito elegante.

Outras mudanças de comportamento observadas na “Geração Instagram” são mais surpreendentes ainda. No tempo da vida off line, o vestido da noiva era um mistério guardado a sete chaves. Ninguém podia ver nadinha do modelo até a hora da entrada triunfal da moça na igreja. Hoje, na ânsia de mostrar tudo que estão fazendo, as noivas já quebram metade do suspense com as fotos postadas na internet.

Tem noiva que, dividida entre preservar a surpresa e mostrar tudo que está fazendo, resolve postar apenas partes do vestido. Um decote com filtro Earlybird, a saia do vestido com a moldura bonitinha Nashville, um detalhe da renda do modelito com fundo desfocado… No final você pode imprimir as fotos do Instagram da noiva e montar o quebra-cabeças do look. Não adiantou de nada postar o vestido em parcelas. Todo mundo viu, do mesmo jeito.

A vida 100% on line é a nova religião. E o Instagram é a nova oração na mesa das pessoas. Ninguém mexe no prato antes de postar a foto, hein! No dia que a rede social ficou fora do ar, milhares de pessoa passaram fome. Elas simplesmente não conseguiam comer sem ter onde exibir a foto do prato embelezado pelos filtros que deixam até miojo com cara de comida fina.

Quando alguém que eu sigo no Instagram vai a uma festa de casamento então, eu sempre acabo sabendo todos os detalhes do buffet. Desnecesário? Eu acho. Mas eu sou old school e ainda acho um charme gente que consegue guardar um pouco de mistério de si mesma num tempo de tanta superexposição.

 

 

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Navy para gravação da TV

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Semana passada a TV Assembléia gravou uma matéria comigo sobre a profissão de consultora de imagem.

A reportagem já foi ao ar, e está sendo reprisada dentro da programação da TV, num programa sobre mercado de trabalho e negócios.

Falei sobre moda, qualificação, formação, mercado…

quem se interessar, fica de olho aí na programação da TV – que é o canal 36 da Cabo, ou 50 na tv aberta.

No dia da gravação fiz uma combinação bem navy, usando uma mariniere e a minha pantalona (que amo e quero usar todo dia. Vocês perceberam nas últimas fotos, né? hahahahaha).

Nas fotos comigo, a repórter Larisse de Souza.

Vou tentar conseguir o vídeo da matéria para postar aqui no blog depois, ok?

😀

 

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Mais um figurino Uma Graça

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Ô trabalhinho bom de fazer é esse de consultoria de moda…

cuido do visual das minhas clientes como se estivesse arrumando minhas Barbies hahahahaha (brincadeira viu, é tudo muito sério e profissional. Mas quando a gente faz o que gosta, não tem como não ser divertido também. Ainda bem!)

Na última sexta-feira Camila fez mais um show junto com a Orquestra Sinfônica da UFRN.

Dessa vez a apresentação foi no encerramento da CIENTEC. Era um evento mais descontraído por estar na programação de uma feira de conhecimento da universidade, mas ainda assim pedia a classe e a reverência que uma orquestra sempre exige.

Optamos por um modelo quase todo branco, com um único detalhe em preto. O vestido é mais uma vez da Uma Graça.

É um vestido bem versátil, viu, meninas? Super indico ter um vestido longo e sem muitos detalhes no closet. Dependendo do cabelo e dos acessórios, ele poderá ser usado nas mais diversas ocasiões.

Os acessórios são todos S Design.

Os acessórios mais de pertinho:

me apaixonei por esse anel da S Design. É daquelas coisas com carinha vintage que me ganham na hora!

E ainda tem aqui algumas fotos que “furtei” do facebook, pra ver como ficou o vestido de longe, no palco:

Para quem gosta desse tipo de post, tem outros figurinos de show de Camila aqui e aqui.

 UPDATE: esqueci de dizer, mas, antes que vocês perguntem, cabelo e maquiagem foi mais uma vez obra de Dell Marques, do TG Chic.

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O figurino de Camila Masiso (parte 2) – ou “o vestido dos meus sonhos”

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No último post eu disse “amanhã vou postar o segundo vestido” e sumi, né? Foi mal galere, mas minha vida extra-blog estava gritando pela minha presença 😀

Mas voltando ao que interessa…

Hoje vou mostrar o segundo vestido que escolhi para a cantora Camila Masiso. A primeira parte do look vocês já viram aqui.

No segundo momento do show, queria que ela entrasse com um visual colorido, alegre, leve, mas, ao mesmo tempo, elegante como pedia a ocasião.

Não poderia ser uma estampa pesada. Também não poderia ser nada muito descontraído, com cara de “praia”, nem muito exagerado, com cara de festa. Meu maior medo era algo que ficasse com cara de “madrinha de casamento” hahahahaha.

Aí depois de dar mil e duzentas voltas pelas lojas da cidade, achei esse modelo Vitor Dzenk na Yolla Boutique.

Gente, PARA TUDO!

O vestido é uma obra de arte. A saia tem uma estampa perfeita, que simula o fundo do mar.

São duas saias sobrepostas, com a mesma estampa. Quando elas estão em movimento, dá um efeito 3D e parece que os peixinhos estão se mexendo!!!

as saias bem de pertinho. Estamparia digital é coisa linda de deus!

Olha eu amei muito esse vestido. Trabalhar com moda é sempre um exercício de autocontrole pra mim. Sempre me apaixono pelas peças, e quero ficar com elas. Na maioria das vezes, não é nem pra usar, é só pra ter mesmo, admirar, apreciar como um quadro.

Imaginem um alcoolatra trabalhando de barman… essa é a minha vida!

Mas voltando ao vestido…

O estilista Victor Dzenk é mineiro, e desde muito jovem cria essas maravilhas que a gente simplifica e chama de roupas. O trabalho dele é sempre muito minucioso e caprichado. Tem aquela pitada de arte, e a gente consegue identificar rapidamente quando uma peça leva a assinatura dele.

Falando em assinatura… os vestidos são sempre assinados, e eu acho isso um charme. Me lembra algumas peças que eu garimpo em brechós. Sempre vibro ao encontrar a assinatura de algum artista. Antigamente todos tinham o hábito de assinar suas criações, como obras de arte.

Mas de uns tempo pra cá, a produção em larga escala foi deixando isso de lado. Agora é etiqueta padronizada mesmo. Sorte que alguns ainda conservam a tradição.

a assinatura no tecido. Lindo, né?

E agora vocês podem conferir como ficou o look no palco.

Com o vento que rolava na hora, a saia tinha um balanço lindo. Ficou bem poético.

Quando Camila voltou ao palco com esse look, rolou uma mini comoção, todo mundo aplaudiu. Claro que os aplausos eram para a música também, mas a visual ajudou 😀

As fotos não estão lá essas coisas, porque eu estava com sérios problemas para regular a câmera. Mas acho que dá pra ter uma ideia de como era perfeito esse vestido.

O que acharam? 😀

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