Posts com a Tag ‘Moda’

Humor do dia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Desmatamento fashion

Recebi por email, mas não dizia a autoria.

Alguém sabe de quem é a assinatura ali?

Vada a bordo, cazzo!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

É a moda se apropriando dos assuntos do momento.

Cada vez mais, os temas que pautam a mídia e dominam as rodas de conversa, também viram “inspiração” para camisetas bem humoradas.

Claro que isso não é um fenômeno novo. Se moda é comunicação, as camisetas sempre foram os out-doors do nosso guarda-roupas. Mas a internet e as redes sociais deixaram tudo muito mais rápido.

Quando o mundo parou para acompanhar a história do navio que afundou na Itália, o diálogo entre o comandante do navio, Francesco Schettino, e o capitão da Capitania dos Portos italiana, Gregorio de Falco, chamou atenção.

Schettino abandonou o navio antes das mulheres e das crianças, o que deixou o capitão possesso.

Ele exigiu que o comandante voltasse ao navio, e no meio da discussão soltou o “vada a bordo, cazzo!”-  um “volte a bordo, c@ar@lh#!”  hahahahahaha

Pronto. Rapidamente as camisetas já estavam sendo vendidas na Itália.

Além dos modelos com o “vada a bordo…” estampado em diversas cores, tem a versão com a famosa frase “keep calm and…” muito bem adaptada à situação :D

A matéria do Jornal da Globo mostra mais do diálogo dos dois. Muito embora a emissora brasileira tenha omitido o palavrão que foi o charme da conversa rs

 

Workshop de desenho de moda em Natal!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fiquei super feliz quando a estilista Caroline de Souza me procurou para ajudar na divulgação de um workshop que ela vai promover aqui em Natal.

Afinal, “você tem alguma informação sobre cursos livres na área de moda aqui em Natal?” é a pergunta que mais recebo através do blog :D

Pois se você é do time que curte moda e está sempre procurando aprender mais sobre o tema, aproveita para participar do workshop da Caroline!

Ela vai ensinar noções básicas de desenho de moda para quem está começando do zero, ou para quem já desenha um pouco mas nunca estudou nada de técnica.

O curso está dividido em três módulos: o primeiro acontece nos dias 18/01 (quarta) e 19/01 (quinta), o segundo nos dias 24/01 e 25/01 e o terceiro nos dias 31/01 e 01/02.

As aulas serão sempre das 17h às 20h, no Café Salão. Quem lê o blog já conhece o salão de Nalva, que fica na Ribeira e sempre aparece em posts por aqui :D

A inscrição custa R$ 60,00 por módulo, ou R$ 150,00 os três modulos (muito melhor fazer os três!).

Para ver em detalhes o conteúdo de cada módulo, e fazer sua inscrição clica aqui.

Mas tem um presentinho para vocês \o/

Umas das vagas do curso está reservada para um(a) Leitor(a) do Salto Agulha. 

Vou sortear uma participação (para os três módulos) aqui no blog. Para participar basta preencher o formulário abaixo.

ENCERRADO!

 

Por razões óbvias, só pode participar quem mora em Natal (ou pode estar aqui nos dias do curso). Lembrem-se de deixar um número correto de telefone para contato, pois é através dele que vou comunicar o resultado ao vencedor(a)!

O sorteio será feito amanhã de manhã.

Boa sorte!

 

 

De-ses-pe-ro*

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

*crônica originalmente publicada na Revista Versailles 17.

“Só conhece o real significado da palavra desespero, a noiva que, já na porta da igreja, derramou uma taça de vinho tinto no vestido”. Tenho uma amiga que adora repetir essa sentença. E o faz com muita propriedade, já que essa mini-tragédia aconteceu de fato com ela.

Eis que a moça estava já na escadaria da igreja, embrulhada num vestido branco alvíssimo. Era “a noiva mais linda do mundo”, porque todas as noivas o são. Um vestido de festa é, quase sempre, uma paixão na vida “modísitica”de uma mulher. O vestido de noiva é O grande amor da vida dela. Para a minha amiga, a história de amor com o vestido tinha mais tempo que a história de amor com o noivo. O namoro nem havia começado, quando ela encontrou e comprou o que definia como “o vestido de noiva mais incrível do mundo”. Nós achamos uma atitude completamente insana, mas, dois anos depois da compra – e um ano após encontrar o noivo – ela estava ali, prestes a entrar na igreja. Mais cedo, havia trocado o tradicional champagne que é servido durante o banho de espuma do “dia da noiva”, por um belo tinto seco – sua bebida preferida. Uma das moças do cerimonial manteve a garrafa e uma tacinha sempre à vista. A noiva estava nervosa pelo Grande Dia, e tinha, digamos, uma quedinha pelo álcool. Minutos antes de dizer o Sim, quis sorver um último gole – para entrar na igreja mais relaxada. Pronto! no instante seguinte o vestido exibia uma imensa mancha roxa. De-ses-pe-ro. O momento Heleninha Roitman custou caro.

Não deu tempo nem de chorar o vinho derramado. A moça do cerimonial colocou a noiva pra dentro da igreja dizendo “não sujou muito, nem dá pra ver direito”, e ela casou assim mesmo.

Dava para ver direito. E mais: ninguém conseguia olhar para outra coisa durante a cerimônia. Nem o padre.

O jeito foi pedir ao fotógrafo que imprimisse todas as fotos do casamento em preto e branco. A ausência de cor disfarçava um pouco a “estampa” indesejada no vestido.

Depois desse episódio, a noiva – agora esposa- trocou de bebida predileta, e planeja uma nova festa matrimonial. O objetivo é fazer muitos registros fotográficos coloridos, para compensar a overdose de preto e branco do primeiro evento. O problema é que o marido não está nem um pouco a fim de fazer (e gastar) tudo de novo. O melhor acordo que ela conseguiu foi a promessa de uma nova festa quando o casal estiver comemorando bodas de prata. Até lá é aguardar, tentar se manter jovem para as fotografias, e cuidar para que não entre vinho tinto na comemoração.

Serão 25 anos de espera. Pensando nisso ela se desespera. Mas lembra que desespero não é a palavra adequada. Desespero mesmo, vocês sabem o que é.

Crédito da imagem: GettyImages

Fôlego novo no jornalismo de moda potiguar

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Há alguns meses, fiquei muito feliz com o convite de três – na época ainda – estudantes de jornalismo, para colaborar com uma revista, que seria o trabalho de conclusão de curso delas.

As "marias" reunidas. Olha a Salto Agulha ali em cima da mesa =D

O trabalho foi apresentado, Maria Emília, Silvia e Mariana foram aprovadas, e espero que elas possam dar continuidade ao projeto, que ficou muito bom!

A revista Marias trata de vários temas ligados ao universo feminino – entre eles, moda, é claro.

Minha contribuição foi uma seleçãozinha de clássicos da moda, aqueles atemporais e imortais.

Além disso, a revista traz uma entrevista ótima com a Jojo do Um Ano Sem Zara, e muitas outras pautas interessantes.

Para ler tudo, clica aqui.

Desejo todo sucesso às novas jornalistas, e espero que elas consigam manter esse gosto pela moda, para que a gente tenha cada vez mais pessoas tratando o jornalismo de moda de forma séria na nossa cidade.

Acho que já cometei com vocês sobre os emails que recebo diariamente de estudantes de jornalismo/publicidade/design,  apaixonados por moda, e querendo saber o que considero necessário para quem quer começar a trabalhar com jornalismo de moda.

Cada caso é único, e não há uma receita pronta que funcione para todo mundo.

Mas, basicamente, é preciso saber escrever (escrever  BEM, sem assassinar o português, sem afetações e gírias “baphonicas” de blog) e ter um bom conhecimento sobre as mais variadas temáticas ligadas à moda. Isso você consegue lendo, pesquisando, estudando, tendo sempre um olhar atento para o mundo ao seu redor.

É interessante também que você direcione seus interesses e sua produção acadêmica, ainda na faculdade, para o que você quer ter como profissão num futuro breve.

Foi que fiz quando criei a revista Salto Agulha - que foi meu TCC em jornalismo, e foi, digamos, meu primeiro passo no sentido de abraçar a moda como profissão.

Foi o que fizeram as “Marias”, e pode ser o que você, estudante que está me lendo agora, fará também.

Então procure saber o que os alunos estão produzindo nas faculdades, tente ter você uma boa ideia, invista nela, estude, abrace-a, e ela poderá ser seu ganha pão.

E quem não quer trabalhar com o que ama? :D

 

 

 

Vamos falar de fotografia?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Outro dia li em algum lugar que, hoje em dia, quando as câmeras digitais possuem tecnologia para fazer quase tudo sozinhas, cada vez mais o que vai fazer a diferença em uma boa foto é a sensibilidade e a “bagagem” do fotógrafo.

E hoje queria mostrar para vocês dois exemplos de trabalhos fotográficos cujo encanto vem todo do estilo do fotógrafo.

O primeiro é o francês Gilbert Garcin.

Um belo dia estava na casa de uma colega – que também é fotógrafa (oi Mariana!)- e vi um livro desse cara.

É simplesmente impossível ficar indiferente às fotos desse senhor.

Conhecido como o poeta das imagens, Garcin tem hoje 80 anos, e só começou a fotografar aos 65, após se aposentar. Você que está na casa dos 30, e acha que passou do tempo de fazer uma coisa incrível na vida, favor se envergonhar agora.

As fotos dele são sempre em preto e branco, e retratam um ambiente onírico, surreal. As imagens Abordam temas como solidão, tédio, desafios, tristeza e vida a dois. Os cenários das fotos são todos montados manualmente, e Garcin  usa somente máquinas analógicas.

Outra marca do trabalho de Gilbert Garcin, é que ele sempre se insere como personagem das fotos.

Quando não aparece sozinho nas imagens, tem a companhia da esposa.

Incrível, não?

E pesquisando sobre exposições que trouxeram fotografias de Garcin ao Brasil, acabei descobrindo que uma marca mineira chamada Apartamento 03  teve uma coleção inteira inspirada no trabalho do fotógrafo francês.

Para ver mais sobre a coleção do Apartamento 03, clica aqui.

Para ver o site de Gilbert Garcin, com várias fotografias dele separadas por ano, clica aqui. O legal do site dele é que dá para ver as mudanças e a evolução do trabalho ao longo dos anos.

O outro trabalho fotográfico que me chamou atenção recentemente, e sobre o qual queria falar para vocês, está mais perto de nós.

É a série de fotografias intitulada ‘Beautiful‘, do fotógrafo mossoroense Matheus Aires.

Ele reuniu algumas amigas para mostrar o nu e a beleza feminina de uma forma super leve e muito bela, como vocês podem ver na imagens a seguir:

Recém formado em comunicação, Matheus tem um caminho certo a trilhar na fotografia. Ele já encontrou um estilo pessoal que está sempre impresso nas suas imagens.

Os trabalhos dele são de muito bom gosto. É o tipo de fotógrafo desprendido do óbvio, que faz a alegria de qualquer editor de moda.

Para ver mais trabalhos de Matheus, se joga ai na House of Mathws.

Linda essa última foto, né? :D

 

 

 

Sua atitude sustentável pode render prêmios!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Você é daquelas que separam o lixo, economizam água e estão sempre tentando convencer as pessoas a fazerem o mesmo?

Pois saiba que – além de ajudar a conservar o planeta- você pode ganhar prêmios bem legais contando a sua história!

Quer saber como? \o/ Eu explico…

Vocês já devem ter reparado que o blog tem um parceiro novo, e que quando vocês entram aqui tem um banner lá em cima dos posts, né?

A Sanny Underwear é uma marca de lingerie que – além de se preocupar com a qualidade e o design das peças – se preocupa também com as questões sociais.

No momento a marca trabalha com um conceito bem bacana de sustentabilidade. E o mais legal é que as atitudes sustentáveis não ficam só na produção da empresa, eles querem difundir essa ideia entre suas consumidoras.

Para isso criaram uma promoção que vai premiar alguma de vocês com um enxoval de 50 peças, de todas as linhas da Sanny.

Para participar você só tem que clicar aqui, ou no banner ali em cima, e preencher o formulário contando alguma coisa sobre o seu estilo de vida sustentável.

Quem contar a história que for mais curtida no facebook leva o prêmio!

Aproveitando o assunto, convido quem não leu ainda a dar uma olhadinha nesse post onde falo de mais dois exemplos de sustentabilidade no mundo da moda.

E quem se interessa pelo assunto e quer saber mais sobre atitudes sustentáveis aplicadas ao universo da moda, pode dar uma passadinha  no blog da Luciana Duarte. Ela é professora, pesquisadora e entusiasta da moda ética.

Super vale a visita!

Ah! e fiquem ligadas que essa semana ainda vai ter sorteio da Sanny Uderwear. Vocês tem duas chances de renovar o estoque de lingerie: uma contando sua história sustentável, e outra participando da promoção aqui blog ;D

Workshop em Mossoró

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Oi Gente!

Hoje pego a estrada rumo à Mossoró para ministrar um workshop sobre figurino de Televisão.

O evento está sendo promovido pela TCM, para os jornalistas e apresentadores de programas da emissora.

Recebi alguns emails de pessoas perguntando como participar do curso, mas infelizmente esse workshop é restrito aos funcionários e convidados da TCM. Eu não estou organizando, apenas fui contratada para ministrá-lo.

Quem quiser muito participar, pode tentar conseguir um convite lá na emissora.

Mas se vocês juntarem um grupinho de ineterssados, a gente pode organizar um outro curso e eu volto ao país de Mossoró para atender todo mundo, ok? :D

 

 

O clipe da cantora Khrystal

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Oi Gente! To sumidinha, né?

Mas quando eu sumir assim, fiquem felizes porque é sinônimo de muito trampo, e, consequentemente, falta de tempo :D Sim, porque eu trabalho viu? Vivo de ser blogayra não! kkkkk

Então…

um desses trabalhos foi a produção de moda para a gravação de um videoclipe da cantora Khrystal.

A música Zona Norte/ Zona Sul fala das diferenças sociais na nossa cidade, de preconceito e discriminação. Mas é, ao mesmo tempo, e apesar da carga forte de crítica  social, uma canção muito bonita.

A ideia do clipe é que Khrystal estivesse andando pelos lugares da Zona Norte que ela cita na música, interagindo com as pessoas e fazendo parte de verdade daquele ambiente.

A documentarista Rita Machado gravava tudo com uma câmera de mão, sem tripé, sem muitas firulas de iluminação. O objetivo era esse mesmo, uma câmera acompanhando Khrystal pela Zona Norte.

O visual dela tinha que ser bonito, mas não excessivamente produzido. Não poderia ser uma roupa que limitasse os movimentos, pois Khrystal ia subir escadas, ladeiras, sentar no chão, jogar bola com as crianças… por isso pensamos em usar um macacão.

Além disso não poderia ser nada que fugisse muito do estilo da cantora, que gosta de tudo o mais natural possível. Detesta muitas firulas e passa longe do salto alto (pelo menos por enquanto hehehe).

Para minha sorte, encontramos um macacão do jeitinho que a gente queria, lá na Bain Douche.

E Khrystal gostou tanto da ideia do macacão, que ainda comprou mais dois (em outros modelos, é claro) para usar “na vida real”.

Fiz alguns poucos registros durante a gravação. Não deu para fotografar direito porque não levei câmera, todas as fotos foram feitas com o iPhone.

Mas quando o clipe tiver pronto e editado, coloco aqui pra vocês verem como ficou.

Na porta de uma casinha bem simples, mas cheia de poesia, na comunidade da África.

Outra na África. Essa casa aí tinha uma plaquinha assim: “Bazar. Remonta-se roupas e bolsas” e várias peças penduradas na varanda. Achei lindo!

 

Na linha de trem perto da ponte de Igapó.

Gravamos com o por do sol da ponde de Igapó! Nunca tinha atravessado a ponte a pé, a luz é linda no rio perto do fim da tarde.

Essa eu roubei do Instagram de Khrystal! Adorei essa foto dela com Carlinha, uma menina super fofa que encontramos pelo caminho e participou do clipe.

É isso gente. Sei que não dá pra ver muitos detalhes nas fotos, mas quando o clipe estiver pronto vocês vão ver tudinho.

Para quem quiser ouvir e/ou baixar a música Zone Norte/Zona Sul, tem link do 4Shared aqui.

 

 

A moda e a estética do sertão*

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quando vi pela primeira vez a emblemática fotografia das cabeças decepadas do bando de Lampião, muitos detalhes me passaram despercebidos. Foi preciso outros encontros com a imagem, e olhares mais atentos, para que o detalhe mais interessante fosse revelado: as duas máquinas de costura nos cantos superiores da fotografia. Uma imagem carregada de simbolismo, que diz muito sobre a realidade da época.

uma das fotografias mais famosas da história do país, e as maquinas de costura lá…

No sertão da primeira metade do século 20, a máquina de costura tinha a importância que a televisão tem nos lares de hoje. O modelo Singer, que aparece na foto, era o sonho de consumo das donas de casa. O sertão fechado, terreno inóspito, de chão rachado e tapetes de macambira, era o que os cangaceiros tinham para chamar de lar. E era onde se costurava, bordava e adornava.

A Singer vestia o cangaceiro para o combate, a criança para o batismo e a noiva para o altar. Cobria a viúva com o luto, e as moças com o colorido da chita. Marcava períodos, fazendo bermudas (que se chamavam calças curtas), para os meninos, e calças compridas, para os homens. Coisas de um tempo em que ostentar o luxo de comprar roupas prontas, trazidas de fora, era coisa para pouquíssimos.

A estética do sertão é a estética da resistência. Da roupa usada até a fibra do algodão virar farelo. Do couro forjado em vestes para aguentar o peso da lida. Do vaqueiro com ares de cavaleiro medieval – não para se proteger de lanças de guerra, mas dos afiados espinhos da caatinga. Do aproveitar tudo até a última gota.

Muito ligado à natureza, o sertanejo carregava em sua indumentária as cores “puras”. O vermelho do sangue – para eles, o “encarnado” – lhes dava força. O branco das nuvens, a pureza. O azul, cor do manto de Nossa Senhora, também era a cor da água. E o homem do sertão tinha uma relação de verdadeira adoração com a água, sempre tão escassa, o que fazia com que o azul fosse a cor do acalanto, da serenidade. O amarelo, do ouro e da riqueza. Por vezes, todas as cores juntas, em combinações que a moda – aquela das passarelas – demorou a descobrir, mas que hoje não cansa de revisitar.

A herança estética que o sertão nos deixou é vasta. Rendas, bordados, estampas, materiais, texturas, artesanatos. Algumas dessas heranças mostram que a moda feita à mão tinha uma função social além da simples confecção das peças. O trabalho manual era momento de reflexão, era o divã das sertanejas. Quantas mães traçaram o destino dos filhos enquanto bordavam sentadas numa cadeira de balanço junto à janela? O olhar ora acompanhava a linha, ora se perdia no horizonte, mostrando que os dedos, de tão acostumados, já conseguiam seguir sozinhos, sem a supervisão dos olhos.

Imagem: daqui

Outras vezes, o divã era coletivo. Uma espécie de terapia de grupo, onde as mulheres expurgavam os problemas familiares, dividiam experiências e falavam da vida de outrem – mais ou menos como fazem nas academias de ginástica de hoje. A “terapia de grupo” foi responsável por batizar um tipo de trabalho manual muito característico do sertão: o fuxico.  Creio que não há quem não conheça, mas não custa explicar: são pequenas peças feitas de retalho, que se unem para formar blusas, colchas, toalhas, ou o que  mais a criatividade permitir. A hora de costurar, era também a hora da fofoca. Ou do fuxico, como preferem os nordestinos. E assim ficou batizado.

O homem do sertão também era vaidoso. Comprar roupa nova para as festas de fim de ano e para o São João, era sagrado. Encontramos traços fortíssimos da vaidade masculina onde menos esperamos: entre os cangaceiros. Frederico Pernambucano de Mello diz em seu livro Estrela de couro, a estética do cangaço [2010], que “o bando de Lampião, sobretudo nos anos 30, possuía preocupações estéticas mais frequentes e profundas que as do homem urbano moderno”.

O próprio Lampião, vaidosíssimo, não abria mão do seu perfume predileto, o Fleurs D’Amour, da maison Roger & Gallet. A fragrância foi criada em 1904. Saiu de linha há anos, mas até hoje é possível encontrar raros frascos do Fleurs D’Amour à venda em sites como Ebay – a preço bem salgado, diga-se, por ser um perfume vintage.

O perfume preferido de Lampião, o Fleurs D’amour, em anúncio da época

Lampião também era um costureiro talentoso e dominava como ninguém a técnica do bordado à máquina. Há relatos de ex companheiros de cangaço, de que ele desenhava os modelos antes de levá-los à máquina, para garantir a perfeição (é certamente uma imagem cheia de dualidade, esta – a do cangaceiro estilista). Já alguns autores afirmam que trabalhos manuais delicados, como costura e bordado, tinham a função de higiene mental no cangaço.

A indumentária dos cangaceiros era imponente e chamava atenção de longe. À primeira vista, a falta de discrição no vestir seria uma contradição para um grupo que vivia quase sempre às escondidas, em fuga, perseguido pela polícia. Mas o traje do cangaceiro não era somente funcional: cada elemento da vestimenta tinha um papel importante de proteção – não só física, mas também espiritual. A “blindagem mística”, citada por Pernambucano de Mello.

Lampião sentando à máquina

Lembro de um episódio que meu bisavô adorava contar, sobre seu suposto encontro com Lampião, no sertão de Pernambuco. Vovô era rapazote e, no tal dia, dirigia por uma estrada de terra, conduzindo um carro carregado de bananas. Quando o veículo atolou, do meio do mato surgiu um grupo de homens, “com umas roupas que pareciam de vaqueiro, só que muito mais enfeitadas, cheias de moedas, coisas coloridas e coisas que faziam barulho”. Perguntaram o que o rapaz fazia, pra onde ia por aquelas estradas, e “se não tinha medo de encontrar Lampião”. Ao que meu avô, num ímpeto de coragem juvenil, respondeu: “Tenho medo não, que Lampião não é bicho”. O grupo deu uma gargalhada e ajudou o rapaz a desatolar o carro. Na despedida, apertaram as mãos e o chefe do bando disse: “Você sabe com quem está falando”? Diante da resposta negativa, ele concluiu: “Hoje você conheceu Virgulino Ferreira, o Lampião. E só deixamos você passar porque é um rapaz de coragem”.

Meu avô contava que depois disso “tremia feito vara verde” e demorou cerca de uma hora pra conseguir se acalmar, ligar o carro e ir embora.

Se a história é verdade, ou se ele contava apenas para deleite dos bisnetos, não sei. Mas sempre que ouvia isso, ficava imaginando as roupas daqueles homens.

O fascínio que a indumentária dos cangaceiros exercia sobre a minha imaginação de criança, não era diferente da admiração que causava ao povo da época. Há relatos de que até a polícia se deixou seduzir pelo visual do cangaço, e passou a se vestir de forma semelhante aos cangaceiros. Situação que fez um comandante emitir comunicado oficial proibindo os soldados de usarem qualquer coisa que não fizesse parte do uniforme em vigor, tais como “cartucheiras cow boy, chapéus exagerados à Lampião, enfeites amarelos nas bandoleiras, alpercatas de todo enfeitadas…”.

Mas, e hoje? Será que o sertão ainda guarda algum traço de pureza estética? 

“O sertão é um mundo que se foi” – afirmou certa vez Oswaldo Lamartine, em entrevista ao repórter Sérgio Vilar. Terá ido com ele, também, a identidade visual construída ao longo de tantos anos pelo povo sertanejo?

Para a escritora Clotilde Tavares, a televisão foi um forte agente transformador da estética do sertão. Com a TV vieram também as facilidades de acesso aos centros urbanos, às feiras do interior, à produção em larga escala. Hoje não há mais vantagem em costurar roupas em casa quando se pode ir à feira mais próxima e comprar peças a bom preço – e, o melhor, no mesmo estilo das celebridades televisivas.

Se algum resquício do estilo sertanejo de ontem ainda resiste, pensa Clotilde, ele se revela na paixão pelas cores. “Não conheço sertanejo que não adore uma cor forte, um colorido vivo, alegre. Hoje não vejo mais uma pureza estética no que se refere ao modo de vestir do sertanejo, mas o gosto pela cor permanece.”

De outra parte, o caminho inverso também acontece, e o sertão invade o resto do mundo através da TV. Uma das novelas de maior sucesso dos últimos tempos no país, Cordel Encantado – a “novela das seis” –, traz para as telas um sertão do início do século 20. A história se passa entre dois mundos imaginários – o reino de Seráfia, na Europa, e a cidade de Brogodó, no sertão brasileiro. O figurino é riquíssimo em detalhes, e, junto com a fotografia, é apontado como um dos principais elementos que contribuem para o sucesso do folhetim.

o romântico vestido de crochê da personagem Açucena. Comentado e desejado de norte a sul do país

Conversei com Karla Monteiro, que junto com  Marie Salles assina o figurino da novela. Ela contou que em meio ao extenso trabalho de pesquisa para montar o figurino dos personagens, surgiu o verbo “brogodar”, que se refere a bordar, tingir, trabalhar à mão as peças do núcleo da cidade de Brogodó. Tudo para dar vida a uma estética do sertão de ontem. Além disso, vários núcleos trabalham em conjunto para que elementos como rendas, bordados, couro e metal, estejam presentes no figurino. Ela resumiu parte do processo:

“Depois de ler a sinopse e de uma primeira conversa com nossos diretores Ricardo Waddington e Amora Mautner, onde a encomenda foi um mundo imaginário – afinal, os reinos de Serafia e a cidade de Brogodó não existem, a não ser no nosso texto –, começamos a pesquisa. Em um primeiro momento sobre a(s) época(s) da novela, final do século 19, quando a nossa história começa, e início do século 20. Depois fomos assistir filmes, pesquisar em alta costura, em livros de fotografia e álbuns de família. E  deixamos as necessidades de cada personagem ‘comandar’ nosso pensamento. Montamos vários ateliês. O de chapéu, comandado pelo Denis Linhares, chapeleiro carioca. O de envelhecimento e tingimento, e de marchetaria, com o Alex, artesão pernambucano, onde foi feito todo o trabalho de metal nas roupas dos cangaceiros. Dizemos que é um figurino de época com uma ‘pegada contemporânea’. Um olhar diferente da época porque cabe na nossa fábula brincar dessa forma. Quanto aos cangaceiros, a pesquisa foi feita em cima da indumentária dos vaqueiros, dos samurais, e sobre  Lampião e seu bando. Os gibões foram comprados em Fortaleza e adereçados no  nosso ateliê de marchetaria.” 

A moda brasileira há muito flerta com o sertão. Ora de maneira mais tímida, ora através de uma paixão mais declarada. O primeiro cupido desse affair foi provavelmente a mineira Zuzu Angel. Antes de entrar para a história por ter usado a moda para denunciar os horrores da ditadura, Zuzu já fazia história ao misturar artesanato nordestino com alta costura. O primeiro passo foi tingir algumas rendas – que eram utilizadas somente em panos de cozinha – na mesma cor dos tecidos nobres, e usar os dois materiais juntos em vestidos de festa. Depois ela fez peças com chita, bordados, labirinto, renda de bilro e até vestidos de noiva feitos com toalhas de mesa nordestinas.

o vestido noiva feito de toalha de mesa de Zuzu Angel

Outro aparecimento marcante do sertão na moda brasileira aconteceu em 2006, com a coleção “O sertão ri”, do também mineiro – e não acaso admirador do legado de Zuzu Angel – Ronaldo Fraga. A coleção foi toda inspirada na obra de Guimarães Rosa, especialmente em Grande Sertão: Veredas. Na apresentação do trabalho, o estilista afirmava: “O sertão é um só, e por não ter portas e janelas ele está em todo lugar.”

O sertão podia não ter portas, mas a moda brasileira tinha voltado a fechar algumas. Quarenta anos após Zuzu Angel, a desvalorização do artesanato nordestino havia voltado a ser uma pesada porta à espera de novamente ser derrubada. A renda de bilro era bonita para levar pra casa como lembrança das férias ensolaradas, mas para as passarelas – e para as vitrines mais refinadas – não servia.

O desfile de Ronaldo Fraga trouxe as cores e as texturas do sertão de volta aos holofotes. Nos anos seguintes, as próprias transformações sociais, que obviamente ecoam na moda, ajudaram a agregar valor e prestígio à estética nordestina. Começou-se a falar em economia criativa, sustentabilidade, e o artesanato ficou chique – passou a ser chamado handmade. Fazer o quê se a moda precisa de um estrangeirismo besta para agregar valor ao que antes não enxergava como tesouro?

modelos da coleção ‘O sertão ri’, de Ronaldo Fraga. Imagem: Oficina de Estilo

Assim, o sertão ganhou passe livre na alta costura brasileira. Entre uma coleção e outra, sempre aparece alguém tomando aquele pedaço de chão como inspiração. Mas o grande destaque dos tempos atuais, o sertão deve ao poder das novelas, como as maiores catalisadoras de tendências de moda do Brasil.

 “Para mim o artesanato nacional sempre esteve na moda, mas é uma surpresa que uma novela de época tenha essa força. O nosso intuito ao conceber e realizar o figurino foi a busca pelas características de cada personagem para ajudar a contar essa fábula deliciosa de fazer e de ver”, pondera a figurinista de Cordel Encantado.

Também têm um quê de fábula algumas coleções de estilistas potiguares inspiradas no sertão. Não por fugirem à realidade, mas por retratarem um sertão de lembranças.

A estilista Eveline Santos, da Avohai, fez uma coleção inspirada na natureza de Jardim do Seridó. As peças são cheias de detalhes que estimulam a memória afetiva de quem cresceu no sertão.

Em Currais Novos encontramos a Ana Marcolina, marca de Luciana Mamede, sempre bebendo na fonte  inesgotável de inspiração que é a região do Seridó.

Já o estilista Riccard8 San Martini, acaba de lançar uma coleção intitulada “Asa Branca”, que tem inspirações que transcendem a localização geográfica, mas que usa materiais tipicamente nordestinos – e já faz sucesso com um bracelete de couro que vestiria tão bem um cangaceiro quanto um gladiador.

croqui da coleção ‘Asa Branca’, de Riccard8 San Martini

Enquanto isso, em Nísia Floresta, a poucos quilômetros de Natal, um homem sonha com um Museu do Vaqueiro. Guardião da estética sertaneja, o empresário, músico e pecuarista Marcos Lopes é um purista quando se fala em tradição nordestina. Ele mantém um espaço onde funciona o tradicional Forró da Lua. O evento acontece uma vez por mês, promovendo um típico forró pé-de-serra, iluminado, é claro, pela lua cheia.

Marcos Lopes tomou pra si a missão de manter vivas as tradições do lugar onde cresceu. Com recursos do Banco do Nordeste (BNB), ele conseguiu viabilizar um projeto que oferece oficinas de sanfona e de artesanato em couro para crianças de Nísia Floresta. O mestre Júnior Souza vem de Cabaceiras,na Paraíba, ensinar a secular arte de trabalhar o couro, principalmente o couro de bode – o mais versátil e maleável. Durante as aulas são produzidos pequenos objetos como chaveiros, sandálias e chapéus em miniatura. A ideia é que com mão de obra especializada, o artesanato em couro possa vir a ser uma atividade econômica para a região.

O mestre explica que, em Cabaceiras, o couro é responsável por boa parte do dinheiro que circula na cidade. “Eu trabalho em uma fábrica de chapéus que fornece para o Nordeste inteiro. O couro é uma atividade econômica forte lá na minha cidade. Tem tradição, né, tem fama, aí todo mundo procura. Não falta trabalho pra quem quer e sabe trabalhar o couro. Já aqui a gente não vê esse tipo de trabalho”, compara.

Enquanto as crianças aprendem os mistérios do couro, é possível observar em cada canto da fazenda um pedacinho de história do Nordeste. Várias partes da indumentária do vaqueiro espalham-se pelo espaço. É o acervo do futuro Museu do Vaqueiro, que, enquanto não tem espaço próprio, fica exposto ali mesmo. Muita coisa está na família de Lopes há anos. Outras tantas são doações de gente que conhece o trabalho dele. Há um projeto aprovado na Lei de Incentivo à Cultura Câmara Cascudo para a construção do Museu, mas os recursos ainda não foram captados. Enquanto isso, Marcos vai catalogando as peças, e contagiando o máximo de pessoas que encontra pelo caminho com sua paixão pelo Nordeste. É assim, com um impressionante entusiasmo ao falar do museu, que ele consegue parcerias para colocar os planos em prática.

Fico imaginando como será quando o museu estiver pronto. Durante a curta, mas intensa “viagem” que fiz, olhando as selas, chapéus e gibões, penso que entrar nesse museu será como atravessar uma porteira de fazenda. Daquelas fazendas que quase todo Nordestino tem na lembrança. Mesmo quem nasceu no litoral e visitava o sertão somente nas férias, como eu. Mesmo quem não tinha essas férias, mas que, ao menos uma vez na vida, foi recebido em uma casa sertaneja.

E aí pensei na força da estética do sertão. Porque sempre que se fala em uma imagem que represente o Nordeste, a primeira visão que nos vem é a do sertão e não do litoral. É admirável o poder de um ambiente cinzento e pobre, que consegue se sobressair à outro leve e próspero.

É a bela vitória da meia-lua com estrela sobre a vela da jangada.

*texto originalmente publicado na revista Preá #24. Para ler outros artigos da revista, consulte a versão on line aqui.