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Tá na hora de usar: mocassim

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Depois do oxford, a moda feminina segue “roubando” sapatos tradicionalmente masculinos.

2011 mal começou, e já podemos dizer que é ano dos mocassins. Você com certeza se lembra dele, lá dos anos 90. Isso se não tiver ainda algum par esquecido no fundo do guarda -roupas. E se tiver, é hora de resgatá-lo!

Um pouco de história.

O mocassim é um calçado de origem indígena. Os índios norte-americanos os fabricavam com casca de árvore e couro de búfalo, e o adorno de contas na parte da frente do sapato, era utilizado para identificar a tribo.

Foi a partir da década de 40, após a Segunda Guerra Mundial, que ele começou a ser usado além das fronteiras das tribos. Os viajantes que cruzavam os Estados Unidos, de olho no conforto e na praticidade dos mocassins, começaram a parar nas reservas indígenas para comprá-los.

Assim, os chamados Mocassins de Minnetonka passaram a fazer parte do guarda-roupas dos norte-americanos da época.

Mas coube à uma marca italiana, a Tod’s (aquela que vai reformar o Coliseu, lembram?), a fama de produzir o melhor mocassim do mundo.

Acontece que lá pelos anos 70, o filho de um sapateiro italiano fez uma visita aos Estados Unidos e ficou encantado com a maneira informal como os americanos se vestiam no fim de semana.

Ele voltou pra casa com a ideia de adaptar aquele sapato para o estilo italiano, e criar um modelo que fosse ao mesmo tempo luxuoso e informal. Assim nasceu o clássico mocassim Tod’s, que os italianos – e o mundo – amam.

Mocassim ou dockside?

Os mocassins também são chamados erroneamente de docksides, mas há uma pequena diferença entre eles. Os docksides têm solado (geralmente branco) emborrachado, e cadarços na parte de cima. Como este.

Já o mocassim tem um solado bem leve e discreto, é quase um “pé no chão”. Daí seu alto grau de conforto. É possível encontrar mocassins modernos em diversos materiais, e numa infinidade de cores. Com a modinha que chega, eles devem receber  também versões com estampas, customizados, etc etc… até mocassins de salto nós encontraremos por aí.

Como usar?

Muitos textos que leio sobre oxford e mocassim, sugerem o uso destes sapatos sempre com roupas ultra femininas, para “quebrar a masculinidade do look”.

Eu discordo. Não vejo problema nenhum em criar um look totalmente masculino. E muitas vezes um look assim tem mais delicadeza que muito vestidinho esvoaçante por aí.

O mocassim é super versátil e pode ser usado com shorts, saias, vestidos, calças, macacões e macaquinhos. São leves, e perfeitos para dar um descanso às nossas queridas sapatilhas.

Atenção quando for usar com calças! É moderno sempre deixar um pedacinho do tornozelo aparecendo, usando o mocassim com calças mais curtas, ou com a barra dobrada.

Só tenho duas ressalvas a fazer: 1- fica muito feio se usado com meias. 2- não fica bem em looks de festa, já que é um calçado super informal.

Veja alguns exemplos de looks

Imagem: Just Lia

Onde comprar?

Os mocassins e docksides foram carro-chefe da Mr Cat nos anos 90. E o bom é que a empresa nunca deixou de produzí-los – nem mesmo nos anos em que o mocassim foi rebaixado a “sapato de tiozão e de gente que trabalha em hospital” huahuahua. Então agora que eles estão na moda de novo, a Mr Cat está dando uma caprichada nos modelos. Tem cada um mais lindo que o outro!

A Andarella tem uns modelos bem bacanas, como o super colorido que colquei na galeria lá embaixo.

A shoestock tem modelos super confortáveis. Sou muito fã dos sapatos de lá. A loja online entrega para todo o Brasil, e dependendo do valor da compra, o frete é grátis!

A Azaléia – sim ela ainda existe- também traz mocassins na coleção inverno 2001. E a Riachuelo e a C&A sempre produzem alguns modelos (alguns bem fofos!)

Para finalizar, algumas opções que pesquisei por aí:

XX

Aumentando a biblioteca

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Comecei a ler “A arte de editar revistas” de Fátima Ali, e me surpreendi. Não que esperasse um livro ruim, apenas achei que seria uma leitura mais técnica, tipo manual de redação. Mas não é nada disso. Quer dizer, é e não é.

É, porque assim como os manuais, o livro ensina (quase) tudo que você precisa saber para fazer uma revista. O “quase” fica pela parte que só a prática pode ensinar.  E não é, porque vai muito além disso.

É daqueles livros que a gente tem que ter sempre por perto – pra consultar, se inspirar, lembrar… As capas mais famosas, a história das maiores revistas do Brasil e do mundo, os mestres da fotografia, os cliques históricos, e ensinamentos de gente talentosa.

Tem também muitas curiosidades e histórias de bastidores.

Sobre os títulos das revistas por exemplo, conta que a revista Cláudia, recebeu o nome que o fundador da Editora Abril daria para sua filha. Como ele e a esposa tiveram apenas meninos, o nome Cláudia foi aproveitado para uma “cria” da Abril.

Já a revista Nova, é licenciada da americana Cosmopolitan, mas teve que ser rebatizada com um nome brasileiro. Foi lançada por aqui em 1973, época do “Ame-o ou deixe-o”, da ditadura Médici e da censura, quando um nome americano não seria bem recebido pelos militares e até mesmo pelo público que queria atingir na época.

Outra coisa fantástica do livro, é a seleção de imagens. Capas históricas e editoriais que marcaram época. Selecionei algumas pra mostrar pra vocês. A qualidade tá ruim porque estou sem scanner, então fotografei as páginas.

Olha só que linda essa capa da Vogue de 1909!

Outra capa vintage, Fanity Fair, de 1928:

A famosa foto do corselet, da Vogue de 1939. Foi encomendada por Mehemed Agha ao fotógrafo alemão Horst, e tornou-se um ícone da fotografia de moda.

Fred Astaire, 1936. Foto do húngaro Martin Munkácsi, o homem que deu movimento à fotografia. Dizem que antes dele tudo era estático.

E a mais famosa fotógrafa de moda e celebridades, Annie Leibovitz , também tem destaque no livro.

Bette Midler, numa vibe meio Beleza Americana, clicada por Annie Leibovitz:

O lendário fotojornalista Robert Capa, é considerado o melhor fotógrafo de guerra. Documentou cinco das maiores guerras do século. Em sua foto mais famosa, um homem é alvejado durante a guerra civil espanhola:

E por fim, a leveza do fotógrafo de moda Bill King. Conhecido por suas fotos naturais, limpas e elegantes, e pelo uso preciso da luz. De passagem pelo Brasil, ele clicou a então adolescente Pink Wainer (à esquerda) e uma amiga, sob o sol do Rio de Janeiro.

UPTADE: A dúvida surgiu nos comentários, e a Pink Wainer esclareceu via twitter ( pra quem quiser seguir, ela é @pinkywainer). A moça da direita chamava-se Binda, era uma amiga dela.

Tem muito mais coisas incríveis no livro, então corre e compra o seu.