As cores de Almodóvar

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A revista Harper’s Bazaar de março fez o editorial que eu planejava fazer. Quén!

Mas tudo bem. Fiocu lindo, e eu não poderia mesmo trazer Largerfeld pra fotografar aqui, hahaha.

As fotos são uma homenagem ao diretor espanhol Pedro Almodóvar. Quem curte moda certamente também gosta da estética vibrante dos trabalhos dele. Cada foto do editorial da Bazaar recriou uma cena de um filme do diretor. E o mais legal é que vários estilistas famosos – entre eles Karl Lagerfeld e Jean Paul Gaultier – participaram, interpretanto os personagens.

“Carne Trêmula” (1997) com Karl Lagerfeld

“Maus Hábitos” (1983) com um impagável Jean Paul Gaultier vestido de freira:

“Mulheres a beira de um Ataque de Nervos” (1988) representado por Sonia Rykiel e sua filha Natalia.

“De Salto Alto” (1991), o filme que abre a matéria da Bazaar:

“Ata-me” (1990):

“Volver” (2006), com a estilista Angela Missoni no papel de Penélope Cruz:

“A Lei do Desejo” (1987)

“Abraços Partidos” (2009), o filme mais recente:

Lindo o editorial, né? Só senti falta de “Má educação”, meu filme preferido de Almodóvar.

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As jóias de Salvador Dalí

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Você sabia que além do pintor genial e maior representande do surrealismo, o espanhol Salvador Dalí também expressou sua arte através da moda e da joalheria?

Na moda, ele teve como grande parceira a estilista italiana Elsa Schiaparelli. Dizem as más línguas da época, que ela era inimiga mortal de Chanel.  Basta olhar o estilo das duas, para entender a possível desavença. Uma era o extremo oposto da outra. Uma dama que vestia Chanel, provavelmente odiaria o estilo de Schiaparelli, e vice-versa. Fato é que a italiana entrou para a história da moda com suas criações extravagantes, inspiradas nos movimentos artísticos, principalmente o surrealismo de Dalí. E juntos eles criaram várias peças, como o famoso chapéu em forma de sapato. Mas a história de Dalí e Schiaparelli é muito mais vasta, e rende um outro post.

Esse aqui é pra mostrar o trabalho do mestre do surrealismo, na joalheria. Planejo esse post desde o ano passado, quando vi algumas das criações de Dalí no museu de Roterdam, na Holanda. Mas não achava na net as fotos das jóias para postar. Até que encontei algumas nesse site.

broche Ruby Lips, meu preferido

Dali começou a se aventurar como criador por volta de 1938. Ele fazia questão de escolher pessoalmente todas as gemas que seriam usadas, não só pela qualidade e cor, mas sim pelos sentimentos que as pedras causavam no pintor. Os temas das peças eram similares ao de suas pinturas: religião, mitologia, natureza e surrealismo. O trabalho de ourivesaria era executado pelas mãos do espanhol erradicado em Nova York, Carlos Alemany, o qual tinha o dom de capturar a visão do pintor de suas telas e transformá-las em lindas peças“. (Trecho retirado de http://daslu.com.br/conteudo.php?cat_id=119&materia_id=10495)

O rubi era a gema preferida de Dalí. Um das peças mais famosas dele (e por acaso a minha preferida) é o broche Ruby lips, feito em rubi e pérolas. Ele também transformava em jóias algumas de suas esculturas famosas, como o Space elephant, que virou broche em ouro.

Não é fantástico quando um artista consegue se expressar através de tantas formas distintas? Separei mais jóias para vocês conferirem na galeria abaixo:

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Design do dia: Lady Punk

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Quando criei o blog, uma das principais coisas que queria fazer era encontrar gente bacana, que faz moda aqui em Natal, de uma maneira própria e especial. E não somente pela batida história de “vamos valorizar o que é da nossa terra”, porque – já disseram antes – artista da terra é minhoca!

Quero mostrar trabalho bom. Daqui ou de qualquer lugar. A vantagem de ser daqui é que está pertinho de nós, o que significa que é mais acessível. E peço também a ajuda de vocês, que me digam onde posso garimpar talentos, descobrir aquele designer que faz coisas maravilhosas, mas que não conseguiu ainda a divulgação merecida. Sabe aquelas coisas que quando você conhece, pensa “uau! como é que eu não tinha visto isso antes”?

E quando a gente conhece algo assim dá uma vontade danada de compartilhar com o mundo, neam?

Foi exatamente isso que senti quando descobri a Cris, uma moça danada que faz os vestidos lindos da Lady Punk.

 

Já faz um tempinho (ou tempão) que “descobri” a Cris. Nos conhecemos ano passado, na festa de 15 anos do Café Salão. Ela havia feito uma espécie de vestido-instalação artística, que ficou exposto no salão, para comemorar a data. Depois fui ver de perto o trabalho da moça. Provei vários vestidos (e amei quase todos), fiz uma mini entrevista com ela, pedi fotos e… bom, como vocês podem ver, demorei séculos pra fazer esse post!

Peço desculpas a Cris e a todos vocês pela demora, pela minha mania de deixa-pra-depois-e-faz-tudo-ao-mesmo-tempo. Organização é a chave para o me sucesso, já sei! kkkk

Mas voltando o que interessa, os vestidos Lady Punk são super românticos e delicados. Cintura marcada, babados, formas arredondadas… tudo pra deixar a mulher bem feminina. Ao mesmo tempo eles têm um arzinho de “roupa de boneca”, e aquele toque de coisa personalizada, com a sua cara, sabe?

babados, flores, cintura marcada, decote coração... marcas registradas da Lady Punk
três dos meus modelos preferidos

E era essa a intenção da Cris, quando criou a marca. Ela conta que tudo começou do desejo pessoal de vestir coisas que não encontrava na lojas. Criando seus próprios vestidos, ela chamava a atenção das amigas, que passaram a querer as peças também. “Apenas não estava disposta a gastar tanto com peças que não me representavam e comecei a desenhar o que queria vestir. Sempre preferi usar vestidos, pois simbolizam toda a feminilidade e poder. Vestidos diferentes das vitrines. Alguns bem comuns, mas com um toque personalizado. Os vestidos chamaram a atenção de amigas e, logo, das amigas das amigas… Foi aí que surgiu a primeira encomenda”, conta.

Cris Lucena, a designer

Hoje, quase três anos depois, a Lady Punk só cresce. Com a aceitação que as peças tiveram, a Cris correu pra se especializar e poder fazer coisas ainda mais lindas. Hoje ela estuda criação e design de moda, e pretende fazer ainda um curso de marketing. Pesquisa e se inspira em tudo que vê pela frente: livro, revista, internet, música… aliás, foi de uma música dos anos 80, que ela tirou o nome “Lady Punk”. A moça não pára, e me disse que  tá cheia de ideia na cabeça, pra continuar criando seus vestidos. As clientes satisfeitas agradecem!

O telefone da Cris é o 84 8888 5905 e tem mais Lady Punk no Flickr http://www.flickr.com/photos/ladypunkvestidos/ e no orkut http://www.orkut.com.br/Main#UniversalSearch?origin=box&exp=1&q=lady+punk

E vocês aí, têm algum achado incrível de moda e design pra divulgar por aqui? 🙂

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Aumentando a biblioteca

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Comecei a ler “A arte de editar revistas” de Fátima Ali, e me surpreendi. Não que esperasse um livro ruim, apenas achei que seria uma leitura mais técnica, tipo manual de redação. Mas não é nada disso. Quer dizer, é e não é.

É, porque assim como os manuais, o livro ensina (quase) tudo que você precisa saber para fazer uma revista. O “quase” fica pela parte que só a prática pode ensinar.  E não é, porque vai muito além disso.

É daqueles livros que a gente tem que ter sempre por perto – pra consultar, se inspirar, lembrar… As capas mais famosas, a história das maiores revistas do Brasil e do mundo, os mestres da fotografia, os cliques históricos, e ensinamentos de gente talentosa.

Tem também muitas curiosidades e histórias de bastidores.

Sobre os títulos das revistas por exemplo, conta que a revista Cláudia, recebeu o nome que o fundador da Editora Abril daria para sua filha. Como ele e a esposa tiveram apenas meninos, o nome Cláudia foi aproveitado para uma “cria” da Abril.

Já a revista Nova, é licenciada da americana Cosmopolitan, mas teve que ser rebatizada com um nome brasileiro. Foi lançada por aqui em 1973, época do “Ame-o ou deixe-o”, da ditadura Médici e da censura, quando um nome americano não seria bem recebido pelos militares e até mesmo pelo público que queria atingir na época.

Outra coisa fantástica do livro, é a seleção de imagens. Capas históricas e editoriais que marcaram época. Selecionei algumas pra mostrar pra vocês. A qualidade tá ruim porque estou sem scanner, então fotografei as páginas.

Olha só que linda essa capa da Vogue de 1909!

Outra capa vintage, Fanity Fair, de 1928:

A famosa foto do corselet, da Vogue de 1939. Foi encomendada por Mehemed Agha ao fotógrafo alemão Horst, e tornou-se um ícone da fotografia de moda.

Fred Astaire, 1936. Foto do húngaro Martin Munkácsi, o homem que deu movimento à fotografia. Dizem que antes dele tudo era estático.

E a mais famosa fotógrafa de moda e celebridades, Annie Leibovitz , também tem destaque no livro.

Bette Midler, numa vibe meio Beleza Americana, clicada por Annie Leibovitz:

O lendário fotojornalista Robert Capa, é considerado o melhor fotógrafo de guerra. Documentou cinco das maiores guerras do século. Em sua foto mais famosa, um homem é alvejado durante a guerra civil espanhola:

E por fim, a leveza do fotógrafo de moda Bill King. Conhecido por suas fotos naturais, limpas e elegantes, e pelo uso preciso da luz. De passagem pelo Brasil, ele clicou a então adolescente Pink Wainer (à esquerda) e uma amiga, sob o sol do Rio de Janeiro.

UPTADE: A dúvida surgiu nos comentários, e a Pink Wainer esclareceu via twitter ( pra quem quiser seguir, ela é @pinkywainer). A moça da direita chamava-se Binda, era uma amiga dela.

Tem muito mais coisas incríveis no livro, então corre e compra o seu.

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