Que tal ver os designers da Hermés trabalhando AO VIVO em São Paulo?

Posted on

São Paulo é uma cidade que oferece tantos programas interessantes ao mesmo tempo, que muitos passam batido. Não é raro eu ficar sabendo de uma exposição já no fim ou até mesmo depois de ter acabado.

E isso quase ia acontecendo de novo. Soube do Festival des Métiers na segunda-feira e na terça corri pra lá, já que o evento acaba no próximo domingo, dia 08/06. OU SEJA, se você está lendo isso agora e mora em São Paulo, corra pra o Museu de Arte Brasileira da FAAP!

Mas eu falei isso tudo e não contei o que é esse Festival des Métiers...

A FAAP tem um núcleo bem forte de estudos de moda e design e trouxe o festival para que os alunos pudessem ter contato com o trabalho dos designers da Hermés, uma das marcas mais famosas do mundo, que tem esse status justamente pelo trabalho minucioso e exclusivo que desenvolve há mais de um século.

A Hermés começou em 1837 em Paris, produzindo selas e arreios para cavalos. Depois passou a confeccionar outros itens em couro e hoje a marca é a mais pura tradução do que é luxo: peças produzidas em pequenas quantidades, com muito esmero, feitas uma a uma e, claro, com valores altíssimos.

Na exposição aqui em São Paulo os visitantes podem ver vários desses artigos de luxo sendo feitos ao vivo. Podem tocar, perguntar, participar, entender o processo e sair achando que, com o trabalho que dá, nem é tão caro assim pagar 20 mil numa bolsa (mentira, é caro sim, mas eu fiquei tão encantada com o trabalho dos artesãos que estou achando os preços até ok. Afinal, alguns lenços de seda podem levar até dois anos para ficarem prontos, como vou mostrar a seguir)

A primeira peça que parei pra ver foi a bolsa Kelly. Ela tem esse nome em homenagem à Grace Kelly, que era amante incondicional do modelo.

Uma Kelly Bag leva cerca de 18 horas para ser montada. Uma coisa que me deixou surpresa é que ela é toda costura à mão! Em momento nenhum tem uma máquina ajudando ou acelerando o processo.

Quando cheguei lá o artesão estava com várias peças de couro, que pareciam pedaços de tecido, e começou a montagem da bolsa. É tudo muito minucioso e o controle de qualidade é super rígido. Em vários momentos ele ficava lá passando a lixa e eu pensando “gente isso já tá ótimo, já pode parar” mas o cara tem um olho treinadíssimo para imperfeições e nenhuma pode passar.

bolsa kelly hermés hermés em são Paulo Ela é tão bem costurada, à mão, vou dizer de novo, que no final, depois que tudo se encaixa, parece que ela foi “colada” ou sei á o que. A costura é discretíssima e os acabamentos são surreais de tão perfeitos.

Depois de ver uma das bolsas mais famosas do mundo sendo feita na minha frente, eu já estava bem admirada com o talento de quem consegue pegar uma matéria prima do zero e transformar em algo tão lindo.

Mas aí fui ver como são feitos os lenços e, minha gente, é de chorar!

IMG_8642 IMG_8635

O trabalho começa com um designer freelancer, que desenvolve uma estampa para a Hermés. Ele entrega o desenho num papel e essa moça que está trabalhando na foto faz um trabalho dificílimo: ela passa o desenho do designer para os fotolitos que vão ser usados na impressão da seda.

Ela tem que redesenhar com perfeição todos os detalhes e nuances da estampa original. E para ter a precisão de cores e detalhes da estampa, ela faz até 39 telas. Esse trabalho demora cerca de 700 horas. SETECENTAS HORAS, meu bem. Se você trabalhar oito oras ininterruptas nisso dá quase 3 meses de trabalho! Isso para fazer a estampa de UM LENÇO.

Outra coisa incrível foi ver a montagem de um relógio e também o trabalho de uma ourives que estava fazendo um bracelete cravejado de diamantes minúsculos, usando um microscópio.

A precisão do trabalho dessa moça era incrível! E ela nos convidou para olhar a peça através do microscópio e ter a visão que ela tem na hora de trabalhar. Foi a primeira vez que eu vi diamantes no microscópio 🙂

IMG_8672 IMG_8675 IMG_8659 IMG_8656

IMG_8632

Dá pra ver que meu olhinho tava brilhando?  Fiquei muito emocionada com tudo aquilo. Deve ser porque não sei fazer nada nessa vida que eu acho a coisa mais linda do mundo que saber costurar/bordar/pintar/desenhar… FAZER coisas. É mágico pegar um pedaço de couro e transformar isso num objeto. Queria demais ter esse dom!

Se você também quer ver isso de pertinho, corre que ainda dá tempo! O Festival des Métiers fica até o domingo, dia 07/06, no Museu de Arte Brasileira da Faap, na rua Alagoas, 903, Higienópolis.  A entrada é gratuita!

Mais informações no site do evento.

0
  • Compartilhe  →

Grife do cangaço*

Posted on

 

*Matéria feita por mim para a revista digital Living For. Gente, eu amei muito escrever esse texto! Sempre admirei o trabalho do Mestre Espedito e foi delicioso escrever sobre ele. Quem ama a estética do sertão e todo o significado que ela carrega também vai curtir 😉

 

Se o hábito faz o monge, é Seu Espedito Seleiro quem ajuda a fazer o cangaceiro. Essa história começa na cidade de Nova Olinda, Cariri Cearense, quando Espedito Veloso de Carvalho era ainda um menino de oito anos. O pai dele – assim como o avô e  o bisavô – era vaqueiro e seleiro. De dia estava embrenhado no meio da caatinga correndo atrás do gado. À noite acedia a lamparina no alpendre e virava artesão. Fazia selas, chapéus, peitorais, perneiras e gibões de couro. Toda a indumentária do vaqueiro, uma espécie de armadura de couro. Na época era comum que o próprio vaqueiro confeccionasse suas vestes. Ou ao menos tentasse uma vez. Se levasse jeito, acumulava os dois ofícios. “Casa de pai escola de filho”, é o ditado que Seu Espedito Seleiro sempre usa para justificar a escolha da profissão que exerce até hoje, aos 74 anos, e que lhe rendeu o sobrenome. “Eu segui os passos do meu pai, do meu avô e de toda a família deles. Mas só segui com o couro mesmo. Ser vaqueiro não levo jeito, não. Tentei uma vez, pra nunca mais! Era só pra cair mesmo”, lembra emendando com uma gargalhada. O talento que ele não herdou para ser vaqueiro, veio em dobro para ser artesão. Desde cedo ajudava o pai e era “astucioso”, como se diz lá pelo sertão.

Durante muito tempo o pai de Espedito fez as peças em couro que vestiam os cangaceiros da época. Tudo começou quando um belo dia ele recebeu uma encomenda diferente: “Um rapaz passou lá em casa e pediu pro meu pai fazer um modelo de ‘alpercata’. Disse o jeitinho que ele queria, de couro, com o solado quadrado. Ele perguntou: o senhor faz? Meu pai disse: faço”, conta. Ao receber a encomenda, antes de pagar, o rapaz fez uma revelação: A sandália não era pra ele, era uma encomenda do ex-coronel da guarda nacional Virgulino Ferreira da Silva, o famoso – e temido – Lampião. “Meu pai teve foi medo, mas vendeu a sandália. Fez o trabalho, né?”

A partir daí Lampião virou cliente assíduo. É importante dizer que o traje era parte importantíssima da vida do cangaceiro. Primeiro porque oferecia a proteção necessária para viver no ambiente pouco confortável da caatinga. Depois, porque oferecia alguma possibilidade de camuflagem. As sandálias com o solado quadrado serviam para despistar a polícia. Quando os soldados examinavam as pegadas, era impossível descobrir para qual direção os cangaceiros haviam ido. Mas há também outra questão que torna a indumentária tão importante para aqueles homens e mulheres. No livro Estrela de Couro – A Estética do Cangaço [2010] o pesquisador Frederico Pernambucano de Melo cita o que ele chama de “blindagem mística”, que  seria uma espécie de proteção (não só física, mas também espiritual) que os cangaceiros creditavam a cada peça e detalhe de seu ornamentado figurino. Desenhos, arabescos em couro, patuás, penduricalhos, cada um tinha uma função, além do vestir e adornar. Somado a tudo isso ainda existia a vaidade natural dos bandos. No mesmo livro, há uma passagem onde o autor diz que “o bando de Lampião, sobretudo nos anos 1930, possuía preocupações estéticas mais frequentes e profundas que as do homem urbano moderno”. O próprio Lampião gostava de bordar à máquina e o fazia como forma de premiar os seus discípulos preferidos. Quando um cangaceiro do bando ganhava a confiança do Coronel, era comum que recebesse alguma peça bordada de presente, confeccionada por Lampião.

A indumentária do cangaço era tão marcante que há relatos de que até a polícia se deixou seduzir pelo street style da caatinga e passou a vestir de forma semelhante. Situação que fez um comandante emitir comunicado oficial proibindo os soldados de usarem qualquer coisa que não fizesse parte do uniforme em vigor, tais como “cartucheiras cowboy, chapéus exagerados à Lampião, enfeites amarelos nas bandoleiras e alpercatas de todo enfeitadas”, como consta em documentos oficiais da época.

 

Depois dos cangaceiros, sapatos pras madames

Em meados de 1938, na cidade de Angicos, interior de Sergipe, foi dado cabo de Lampião. A morte ao lado de Maria Bonita, sua companheira de jornada, e mais nove cangaceiros era o desfecho da determinação do então presidente Getúlio Vargas de eliminar qualquer foco de deserdem do território nacional, que desafiasse as autoridades policiais e o sistema politico centralizador do seu regime. E Lampião, dos três subgrupos de cangaceiros que vagavam em busca de justiça, emprego e cidadania, fazia parte do que era considerado mais perigoso: o dos dependentes, com características de banditismo.

Com o fim da luta revolucionária, a clientela voltou a ser composta apenas por vaqueiros. E foi essa freguesia que Seu Espedito herdou do pai. As selas e as roupas encouradas que ele confeccionava em Nova Olinda e levava para vender nas feiras da região faziam muito sucesso. Conversando com o artesão dá para entender de onde vem a preferência dos vaqueiros por suas peças. “O vaqueiro gosta de ‘tá’ o tempo todo vestido de vaqueiro. Aí a roupa tem que ser boa pra ele ficar bem o tempo todinho. Se você faz uma roupa feia, sem jeito, os outros vaqueiros ficam falando do cabra”, explica, e, sem perceber, aclara o diferencial de sua confecção: ergonomia e modelagem.

Mas o tempo foi passando, o gado sumindo e os vaqueiros também. De uns anos pra cá o vaqueiro trocou o cavalo pela moto e o chapéu de couro pelo boné – sempre com alguma propaganda de político. Não há mais o trabalho de entrar na caatinga atrás de uma reis desgarrada. As poucas cabeças de gado que ainda se criam no Cariri estão dentro dos currais. É uma profissão em vias de extinção.

Seu Espedito chegou a achar que o artesanato em couro também iria acabar. E nutria com tristeza uma vontade de mostrar seu trabalho pro mundo, antes que as novas gerações desconhecessem totalmente o artesanato sertanejo. “Eu pensava comigo, meu Deus, será que ninguém vai dar fé d’eu? Eu sei fazer esse trabalho tão bonito, que aprendi com meu pai, que aprendeu com o pai dele, e por aí vai. E será que eu nunca vou mostrar isso pro mundo?”, confidencia o artesão. E eis que um dia alguém encomenda uma sandália igual àquelas que o pai de Seu Espedito fazia para Lampião. O boca a boca pela região espalhou e de vez quando alguém aparecia querendo uma sandália “estilo Virgulino”. Mas ainda não era o reconhecimento que Seu Espedito merecia.

 

Ingresso no calendário da moda

Aos poucos ele foi ganhando fama pelo interior do Nordeste como “o sapateiro de Lampião”. Até aí sem grande repercussão além das fronteiras do Cariri. Até que recebe um encomenda importante: a Cavalera queria usar as sandálias de Seu Espedito no desfile da São Paulo Fashion Week, no verão 2005/2006. Uma mexida no design, uma cor aqui, outra ali, o estilo foi mantido, mas com uma pitada de modernidade. E as sandálias do “sapateiro de Lampião” foram parar na passarela mais importante para a moda do país. O resto da história não é difícil imaginar: as criações de Seu Espedito caíram no gosto da gente da moda e ficaram conhecidas no Brasil inteiro e até no exterior.

Gganhou as telas do cinema um ano mais tarde. Na sétima arte, Espedito calçou e vestiu o ator Marcos Palmeira, protagonista da película “O homem que dasafiou o Diabo” – uma adaptação do romance “As pelejas de Ojuara”, do escritor Nei Leandro de Castro. Além do vestuário, incluiu móveis na produção. Só não mexia com a madeira, mas o revestimento em couro era todo cortado, costurado e pintado por ele com anilina.

Hoje ele produz bolsas, sandálias, botas, sapatos, cintos, malas, bijouterias e tantas outras peças em couro. Até alguns móveis entram na produção. Tudo com aquela carinha de sertão, mas com o toque da criatividade de Seu Espedito, que parece não se esgotar. Cada peça é única e diferente da outra. E o repertório dele não acaba. O ateliê dele em Nova Olinda já é ponto turísitco da cidade. Foi ele também quem vestiu Marcos Palmeira para o papel de Ojuara, na adaptação para o cinema do livro de Nei Leandro de Castro.

Seu Espedito passeia entre a tradição e a modernidade com maestria. O design das peças que ele cria é incrível justamente por aliar tão bem o design do cangaço com os anseios estéticos de quem consome moda contemporânea. Essa é a força e o encantamento da obra dele.

Imagem da matéria publicada na Living For

PS.: Todas as fotos foram feitas na exposição sobre Espedito Seleiro que esteve em cartaz no Museu do Objeto Brasileiro, em São Paulo, até semana passada.

PS2.: Vale a pena baixar a revista no seu tablet para conferir a matéria completa. O trabalho gráfico ficou bem bonito casadinho com o texto. Tem os links de todas as edições da revista aqui.

6
  • Compartilhe  →

As bolsas da Carolina Martori

Posted on

Oi gente!

O meu lado jornalista anda atrapalhando o “blogayra” e eu ando meio sem tempo de postar, mas vou deixar vários posts programados para o blog não ficar abandonadinho, ok? 😀

Ontem fui almoçar no Natal Shopping e aproveitei para visitar a Carolina Martori – que é parceira do blog e sempre aparece por aqui.

O shopping está quase todo em liquidação, cada loja com sua maneira de trabalhar os descontos.

Lá na Carolina a loja toda está com desconto. O valor varia de acordo com a forma de pagamento. À vista, claro, o desconto é beeeeem maior 😉

Daí fotografei umas bolsas que gostei muito para vocês verem.

Sempre deixo para comprar bolsas nos períodos de liquidação, pois elas são mais caras que os sapatos e os descontos são sempre bem vindos 😀

Olha aí as que mais gostei:

As duas primeiras em tons de caramelo e as duas pequenas (a nude e a azul) foram as preferidas entre as preferidas.

E as de vocês?

5
  • Compartilhe  →