O mundo, a Belle Époque e os anos loucos em Natal – Como eram os modos e a moda na Cidade do Sol nos primeiros anos do século XX

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*Texto originalmente publicado na Revista Glam. Vou postar o texto e algumas imagens aqui, mas vale a pena procurar a revista para conferir a diagramação na edição impressa. Ficou bem bonito! 

 Imagem de abertura da matéria na revista. Segue o texto…

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Na virada do século XIX para o século XX o mundo vivia um momento de muita expectativa e grandes transformações. Uma passagem de século não é coisa pequena para a mente humana. A geração atual viveu coisa parecida recentemente e lembra como foram tensos os dias que antecederam o esperado e temido “bug do milênio”.

Mas, voltando a 1899… As transformações advindas da revolução industrial haviam modificado plenamente o cotidiano das pessoas. Os produtos industrializados davam a sensação de conforto, pois diminuíram ou até eliminaram certas tarefas cotidianas. A força humana em várias ocasiões começava a ser substituída pela eletricidade. Passou-se a admirar a ciência e a tecnologia como as mais maravilhosas expressões do homem. Esse período de euforia ficou conhecido como “Belle Époque” – a expressão em francês para “bela época” se deve ao fato de que Paris era então a capital do mundo, e o francês o idioma dominante.

Acompanhando o clima de festa, a moda na Belle Époque era tão efusiva quanto as pessoas. Os espartilhos afinavam a cintura e estufavam o peito, formando uma silhueta em S. Os vestidos eram cheios de rendas, bordados, babados e detalhes. As mangas longas iam além da metade das mãos. As roupas riquíssimas arrastavam no chão – mas isso não era um problema para a alegre classe dominante, pois a tecnologia havia trazido também a limpeza e os cuidados com higiene e saneamento nos grandes centros urbanos. Os chapéus e leques eram verdadeiras arranjos, ostentando penas e até mesmo pequenas esculturas.

A ostensiva moda da Belle Époque, cheia de fru-frus

Esse período vai do fim do século XIX até o início da Primeira Guerra, em 1914. O grande conflito mundial acaba com a Belle Époque quando a mesma ciência e a tecnologia que facilitavam a vida das pessoas, passaram a produzir armas e mecanismos de guerra que serviam unicamente para matar. É uma quebra de pensamento. O homem passa a perceber que tem em mãos o poder de usar o conhecimento para o bem ou para o mal.

A guerra acaba com a sensação de euforia e imprime novos costumes. Quando termina, em 1918, o mundo não é mais o mesmo. As roupas perderam o excesso de fru-frus. Costureiros como Paul Poiret libertam a mulher dos espartilhos, e a nova silhueta não marca a cintura. Começa a era dos vestidos retos, com cintura deslocada, que se transformariam em tubinhos. Com a chegada dos anos 20 esses vestidos ganham franjas para balançar ao som do jazz e do charleston. As barras das saias sobem, mostrando mais pele. O mundo, recém saído de uma tragédia, resolve tirar o pé do freio e se permitir mais. Mais festas, mais sexo, mais bebida. Esse período que se inicia logo após o fim da guerra, fica conhecido como “Os anos loucos”. A figura da Melindrosa, com seu cabelo à la garçonne, olhos pintados, piteira sempre fumegando, ousada, permissiva e divertida, entrou para a história como ícone desses anos loucos.

A milionária americana Peggy Guggenheim usando uma criação do mestre Paul Poiret

 

A prolongada Belle Époque na esquina do continente

Natal não sentiu os efeitos da Primeira Guerra Mundial. A moda parisiense da Belle Époque continuou sendo reproduzida por aqui, mesmo quando a Europa estava devastada e as roupas haviam perdido a maioria dos enfeites. Por isso, muitos autores – entre eles Tarcísio Gurgel, autor de Belle Époque na Esquina – consideram que a “bela época” potiguar se estendeu até os anos 30.

Com a chegada do cinema nos anos 20, a estética parisiense deixou de ser a única a ser seguida e passou a dividir o espaço com a estética Hollywoodiana. O modelo de beleza agora era também a atriz de cinema, e Natal dava seus primeiro passos rumo à americanização. As mulheres esperavam ansiosas as revistas de cinema que chegavam à Livraria Cosmopolita, na rua Dr Barata. Era delas que saiam os penteados, as roupas e a maquiagem que as potiguares mais abastadas iriam usar nos bailes do Natal Club. A vida noturna da cidade fervilhava nos clubes. As festas eram animadas pelas jazz bands ou pelo tango – que durante muito tempo foi até mais popular que o jazz na cidade. “Esses clubes eram estritamente masculinos durante o dia, mas à noite realizavam festas onde os homens levavam suas senhoras.” conta Márcia Marinho, historiadora.

“As leis da moda” num anúncio da revista Cigarra 

O Natal Club foi ianugurado em 1906 e durante muitos anos foi a mais renomada instituição de lazer para a elite natalense. Mais tarde, em 1928, com o boom da aviação, surge o Aeroclube – que existe até hoje na cidade. O “Aero”, além das atividades de aviação, reunia num só lugar os espaços para esporte, recreação e festas noturnas. Esse estilo de clube acompanhava os novos gostos do natalense. A prática de esportes havia sido incorporada à rotina da cidade, como parte importante para a sociabilidade e o lazer. Primeiro os esportes náuticos, com as regatas no Potengi; e mais tarde, o futebol. Foram fundados os clubes ABC e América em 1915, e Alecrim em 1916. Quando chegam os anos 20 o natalense já adquiriu o hábito de assistir às partidas de futebol aos domingos, como faz até hoje.

 

Descobrindo as roupas de banho

Ao mesmo tempo, a praia passa a ser percebida como um espaço para diversão e lazer. Antes disso, apenas os doentes tomavam banho de mar, pois a prática era recomendada pelos médicos como tratamento para várias doenças. Quando o natalense descobre a praia, a moda acompanha a novidade.

Os primeiros trajes de banho eram pesados e cobriam praticamente todo o corpo. Em “Belle Epoque na Esquina”, Tarcísio Gurgel transcreve trecho do livro “Reminiscências”, de Octavio Pinto, onde é descrito o complicado ritual dos primeiros passeios praianos em Natal: “Iniciando o verão, a costureira Santa (…) fazia para as minhas irmãs as roupas de banho de fenda azul encorpada, com frisos brancos, compreendendo uma calça tipo bermuda, com um elástico na boca que prendia no meio da perna. E a túnica com meia manga com cinto de pano branco, mais parecendo um macacão. Os rapazes usavam calção e camisa esporte. Nunca tiravam a camisa. Pela manhã muito cedo, antes do sol nascer, tomávamos o bonde defronte de casa, na Av. Deodoro. (…) Saltava-se no final da Av Atlântica, em Petrópolis, e de lá se descia a ladeira até a Casa de Banhos, que tinha duas filas de quartos onde se mudava a roupa. A praia a princípio se chamava do Morcego, depois mudando para do Meio, porque ficava entre as praias de Areia Preta e a do Forte dos Reis Magos. (…) Também ia conosco um empregado  com um cesto para trazer as pesadas roupas molhadas (…)”.

 

A curta e intensa vida da Cigarra 

Foi nos anos 20 também que circulou uma das mais emblemáticas revistas já editadas na Cidade do Sol. A revista Cigarra teve vida curta porém intensa. Foram apenas cinco edições – entre os anos de 1928 e 1930 – mas era feita por colaboradores que entrariam para a história das letras potiguares, como Palmira Wanderley, colunista fixa da publicação.

Capa da edição 3 da Cigarra, por Erasmo Xavier

A revista contava com o talento do desenhista Erasmo Xavier, responsável pelas capas de todas as edições e pela maior parte das ilustrações. Nascido em 1904, Erasmo passou a juventude no Rio de Janeiro e também atuava como cenógrafo, fotógrafo e chargista. A pesar de jovem, o rapaz já era destaque na imprensa carioca com seus desenhos e ilustrações. Colaborou com publicações como O Malho, Fon Fon e Tico Tico, trabalhando ao lado dos grandes desenhistas brasileiros da época e assinou a capa de uma edição da emblemática revista O Cruzeiro. Esta capa ele não chegaria a ver impressa, pois foi publicada em 1933, três anos após sua morte. Assim como tantos jovens talentosos da época, a carreira de Erasmo Xavier foi precocemente interrompida pela “peste branca”, a turbeculose. Morreu antes de completar 26 anos. Os desenhos dele, principalmente as personagens femininas, retratavam os anseios de uma Natal ainda conservadora, dividida entre o desejo de ser metrópole e as limitações morais de ainda ser província.

Anúncio da revista Cigarra chama o natalense para consumir a moda da época na casa Paris em Natal

A praia, o esporte, o crescimento urbano, o cinema, a música… Tudo influenciava o comportamento da cidade que começava a crescer. A moda incorporava todas essas mudanças. As casas de tecido eram o ponto de encontro onde as senhoras compravam as fazendas que iriam se transformar em belos vestidos. Uma das mais famosas era a casa Paris em Natal, na Praça Augusto severo, cujo marketing era justamente fazer alusão aos tão desejados tecidos usados pelas parisienses. Ainda não havia chegado a vez das lojas de roupas. Tudo passava pela costureira. Uma imagem numa revista de moda francesa do pré-guerra e uma atriz num cartaz de filme americano, eram a inspiração para o mesmo vestido de baile potiguar.

E tentando copiar Paris e Hollywood, quem diria, a Natal do início do século XX acabava tendo um estilo próprio – mezzo Belle Époque mezzo Melindrosa.

 

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Para continuar no tema…

Veja – Meia Noite em Paris (Woody Allen); O Grande Gatsby (

 

Leia – Gisinha (romance potiguar de Polycarpo Feitosa); Belle Époque na Esquina (Tarcísio Gurgel); Natal também civiliza-se (Márcia Marinho)


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Festa da Firma*

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* Texto originalmente publicado na Revista Versailles #20. Como tive que fazer alguns cortes por causa do espaço disponível na hora da diagramação, publico agora no blog o texto completo.

Festa da Firma

De todas as perguntas do tipo “o que vestir e como se portar em festas”, a mais complicada de responder é a que se refere à tal “festa da firma”. A confraternização de fim de ano das empresas, que os hipster convencionaram voltar a chamar de “festa da firma” exatamente como faziam seus pais um par de décadas atrás.

Festas como casamentos, batizados, formaturas e afins, têm um código comum e poucas variáveis. Mas a festa da firma é um abismo sem regras que pode fazer até Gloria Kalil se perder na etiqueta. De churrasco a jantar de luxo, são vários os modelos de confraternização. E aí o código de conduta depende de tudo. Depende do estilo da festa, do local, do nível de intimidade e convívio social funcionários, se a empresa é muito formal ou é free style (daquelas que os colegas de trabalho se tratam por “galado” e “esse omi”), se vai ter amigo secreto, se tem algum alcoólatra no grupo, etc etc.

Não há um guia genérico de como se portar que sirva para todos os tipos de festa da firma, mas há recomendações gerais importantes, que devem ser levadas a sério:

Não dê em cima do (a) chefe – ou pior, da mulher/marido dele (a).

Não dê lingerie para nenhuma colega de trabalho no amigo secreto.

Não aproveite a ocasião para sair do armário. Prefira uma conversa franca com os colegas num outro dia em que não esteja de pileque.

Não faça discurso dizendo o quanto a empresa é maravilhosa e como seu chefe é incrível. Você pensa que vai ganhar uma promoção, mas seu presente será somente a fama de puxa saco.

Não puxe uma “rodinha de oração” da sua religião.

Não aproveite a reunião para vender coisas ou fazer propaganda de algum serviço que você presta. É uma confraternização e não uma armadilha. Não faça o Louco da Herbalife!

Se a festa é daquelas onde as pessoas podem escolher a trilha sonora, nunca! jamais! escolha Simone e o seu deprimente “Então é natal”.

Não leve a família para a festa se não for especificado no convite que é essa a intenção.

Se for somente para os funcionários da empresa, não pague o mico de arrastar seu namorado ciumento à tiracolo.

Se ele forçar a barra e quiser ficar esperando do lado de fora da festa, dentro do carro, aproveite a ocasião para terminar o namoro (se for marido, peça o divórcio).

Se o convite é extensivo à família dos funcionários e seu filho não é adestrado para o convívio em locais públicos, deixe-o em casa. Nada mais desagradável do que uma criança destruindo a decoração e uma mãe apática gemendo “Arnaldiiiiinho meu filho, não faça isso”.

Não encha a bolsa de salgadinhos ou docinhos “pra levar pros meninos”.

Não dance o kuduro.

Não marque os colegas em poses estranhas nas fotos do facebook no dia seguinte.

E, por fim, as recomendações mais importantes para quem quer manter o emprego no próximo ano:

Não use Crocs.

Não seja visto conversando com ninguém que usa Crocs.

Os dois podem dar demissão por justa causa.

 

 

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Leitura de domingo: Paulo Borges na Glam

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Uma das coisas mais sublimes que pode acontecer na vida de um jornalista é a gente entrevistar alguém que admira e descobrir que essa pessoa é realmente tudo aquilo que a gente imagina.

Foi o que aconteceu uns meses atrás quando entrevistei o Paulo Borges

Quem no mundo da moda não conhece e admira esse cara, não é? Mas o bacana é que, na entrevista, vi o quanto ele é inteligente e tem uma visão de moda sensacional, diferente de muita gente que vive a moda somente pela superficialidade.

Como ele mesmo disse, não está na moda só pela roupa. É um processo muito mais amplo.

E é assim que eu penso também, por isso adorei escrever essa matéria que saiu na última revista Glam. 

A Glam é distribuída gratuitamente e você pode pegar seu exemplar na banca do Tota, em Petropólis. E a matéria com o Paulo Borges você pode ler agora nesse domingo ensolarado 😀

SEU NOME É MODA*

Visitando Natal para divulgar um projeto que movimenta a moda e a criatividade em todo o país, Paulo Borges conversa com a Glam e mostra que é sim tudo aquilo que a gente imagina: talentoso, inteligente, articulado, visionário, genial… ops! Faltaram adjetivos! Ele é o rei da moda brasileira e conhecer sua história ajuda a descobrir o porquê.

 

Em algum momento da década de 80 o futuro da moda brasileira esteve seriamente ameaçado. Paulo Borges nasceu em São José do Rio Preto e chegou a São Paulo no início dos anos 80 para cursar faculdade de Computação e Comércio Exterior. Quase seguiu carreira nessa área, mas um belo dia um amigo precisou de ajuda num desfile de moda e lá foi ele salvar o rapaz. Pronto. A partir daí não parou mais de criar e produzir. Tivesse seguido o caminho da faculdade de computação, o São Paulo Fashion Week não teria sido criado e a moda brasileira não teria evoluído tanto nas duas últimas décadas.

Conversei com Paulo Borges quando ele esteve em Natal divulgando o Movimento Hotspot (ver box) e fiquei surpresa ao ouvir que ele começou a trabalhar com moda “muito por acaso”, como gosta de dizer. Confesso que esperava mais um discurso padrão, do tipo “sempre gostei de moda e sonhava com isso desde criança”. Mas o rei da moda brasileira começou mesmo ajudando a organizar o desfile da loja do amigo, quando nem sabia como se fazia um desfile. “Na verdade eu não sabia o que ia fazer. Fui pra lá pra ajudar  e o que apareceu fui fazendo. Acabou que gostei de fazer aquilo e as coisas foram acontecendo de uma maneira muito natural, até que alguém me indicou para trabalhar com produção de moda na Vogue”, relembra.

Na revista ele foi assistente de Regina Guerreiro. O ano era 1982 e Regina já era uma das mais importantes figuras da moda brasileira. “Quando eu fui trabalhar com a Regina eu não sabia quem era a Regina. Só depois eu descobri que ela era bem maior que a moda”.

Esse transcender a moda que Paulo aponta como característica de Regina Guerreiro também passou a ser uma característica dele. Logo o rapaz enxergou que havia caminhos bem mais ousados para se trilhar na moda brasileira. Percebeu que gostava mais de fazer desfiles e eventos do que trabalhar em revista, e partiu para a produção. Começou com o Phytoervas Fashion. O evento evoluiu para o Morumbi Fashion, e logo depois São Paulo Fashion Week.

De lá pra cá as principais transformações da indústria da moda no país foram alinhavadas por Paulo Borges. Hoje ele é dono da Luminosidade, empresa que funciona como uma plataforma de geração de conteúdo relacionado à moda.  A luminosidade cria e desenvolve diversos projetos – das semanas de moda a publicações como a revista ffw Mag!.

Paulo Borges sempre enxergou a moda como um sistema complexo, que vai muito além da roupa. Por isso ele passa longe do deslumbramento que cerca muita gente que trabalha no “mundo fashion”. É o articulista mais importante da indústria têxtil brasileira, e nas ultimas eleições presidenciais promoveu encontros onde entrevistou todos os candidatos para descobrir as propostas de cada um para o setor. Para ele, falta à moda brasileira um plano de desenvolvimento de longo prazo. Também falta educação e qualificação. O número de faculdades de moda que cresce a cada dia no país não significa mais profissionais competentes atuando no setor. Quantidade não é sinônimo de qualidade. “A educação no Brasil se tornou muito comercial, todo mundo busca números, as faculdades querem ter turmas numerosas, mas a qualidade do que está sendo ensinado em muitos lugares é questionável”, lamenta.

O resultado é que o Brasil está (de)formando profissionais que não entendem exatamente o processo da moda. A falta de informação gera ideias erradas e muito deslumbramento. É o mito de que trabalhar com moda é só glamour.  Essa falta de conhecimento gera desvalorização de profissionais importantes na cadeia de produção. “Todo mundo quer ser estilista. O jovem quer estudar moda, acha lindo, artístico, glamuroso, mas não sabe que tem que ter muita técnica e dedicação envolvida no processo. Profissionais como a costureira e a piloteira são desvalorizadas. A pessoa não entra na faculdade de moda querendo aprender a costurar, tem outra visão do que é fazer moda. Deslumbrada, estereotipada. E esse deslumbramento vem da falta de informação” explica Paulo Borges.

Apesar disso, ele é otimista em relação ao futuro da moda brasileira. E não há como não ser. O setor cresceu e se desenvolveu nos últimos anos, mesmo remando contra a maré. Apesar da falta de uma política nacional para o setor têxtil, o brasileiro consome moda como nunca, o que tem fortalecido o mercado.

Com tanta gente querendo comprando – e gostando de – moda, pode-se falar uma moda com identidade brasileira? Isso foi o que a indústria da moda perseguiu durante anos, mas, na opinião de Paulo Borges, esse processo foi atropelado pela globalização da informação. “Não existe mais moda de país em lugar nenhum do mundo. Existe moda de pessoas. É o olhar individual criativo de cada um. É um resultado da globalização. Não a globalização política, mas a globalização da informação. Se eu estou usando uma peça que chama atenção de alguém, a pergunta não é mais de que país ou de onde é, mas sim de quem é. E isso é fascinante”, opina.

Vivemos a era de uma moda global, onde as particularidades e as diferenças vem da vivência e da interpretação pessoal de cada criador.  E essa era tem a bênção do rei Paulo Borges.

 

Movimento Hotspot

“A gente não está na moda só pela roupa. É um processo muito mais amplo, que envolve fotografia, design, arte e muitas outras coisas”. Essa frase de Paulo Borges diz muito sobre seu mais novo projeto, o Movimento Hotspot.

Realizado através da Lei Rouanet, com patrocínio de empresas como Vale do Rio Doce e Riachuelo, o Movimento Hotspot é uma plataforma de divulgação de trabalhos relacionados à criatividade nas mais diversas áreas. O projeto recebe inscrições de pessoas de várias partes do país através do site. Os participantes exibem um vídeo e um texto explicando sua ideia, e as melhores serão premiadas. Os prêmios variam entre R$ 10.000 e R$ 200.000 dependendo da área de atuação.

Paulo Borges viajou o Brasil inteiro divulgando o Movimento Hotspot e tirando dúvidas dos participantes. A ideia é descobrir e premiar pessoas criativas em todo o país, descentralizando o processo que hoje ainda está concentrado nos grandes centros do país – São Paulo e Rio de Janeiro.

É a moda ajudando a descobrir a diversidade que existe ainda escondida em um país de dimensões continentais como o Brasil.

 

*Texto: Gladis Vivane / Fotos: Giovanna Hackradt

 

 

 

 

 

 

 

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O amor nos tempos do Instagram*

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*Texto originalmente publicado na Revista Versailles #19. Mais uma vez inspirado em “causos” da vida real. O texto passado rendeu muita polêmica (MAMILOS!) e até fight nos comentários. Vamos ver se dessa vez a paz reina no blog ou alguém aparece para se sentir ofendida pela noiva que inspirou a coluna 😀 

O amor nos tempos do Instagram

Quase não acreditei quando ouvi a história, mas dia desses uma noiva não aguentou esperar o fim da cerimônia para mostrar nas redes sociais que estava casando de fato. Ainda no altar, sacou um iPhone 4s (com capinha de renda branca pra combinar com o vestido) e disparou: “Padre, sorria! O senhor está no Instagram”. O coitado do padre, alheio às novas tecnologias, deve ter imaginado que Instagram é uma espécie de ante-sala do inferno. Um novo apelido para o purgatório.

É o casamento nos tempos das mídias sociais, quando tudo tem que ser compartilhado “em tempo real”. E o real da frase refere-se a “realmente inapropriado”.

É maravilhoso o mundo de novas possibilidades que as redes sociais nos proporcionam. Poder mostrar para a sua prima que está morando fora do país como está sendo a sua festa aqui no Brasil. Mandar foto da sua entrada na igreja para aquela amiga de infância, que mora longe e não conseguiu folga no trabalho para vir à sua festa. Tudo isso é impagável e deve mesmo ser aproveitado. Mas o ímpeto de fotografar tudo e jogar na internet deve ser controlado. Interromper uma cerimônia para isso não é lá muito elegante.

Outras mudanças de comportamento observadas na “Geração Instagram” são mais surpreendentes ainda. No tempo da vida off line, o vestido da noiva era um mistério guardado a sete chaves. Ninguém podia ver nadinha do modelo até a hora da entrada triunfal da moça na igreja. Hoje, na ânsia de mostrar tudo que estão fazendo, as noivas já quebram metade do suspense com as fotos postadas na internet.

Tem noiva que, dividida entre preservar a surpresa e mostrar tudo que está fazendo, resolve postar apenas partes do vestido. Um decote com filtro Earlybird, a saia do vestido com a moldura bonitinha Nashville, um detalhe da renda do modelito com fundo desfocado… No final você pode imprimir as fotos do Instagram da noiva e montar o quebra-cabeças do look. Não adiantou de nada postar o vestido em parcelas. Todo mundo viu, do mesmo jeito.

A vida 100% on line é a nova religião. E o Instagram é a nova oração na mesa das pessoas. Ninguém mexe no prato antes de postar a foto, hein! No dia que a rede social ficou fora do ar, milhares de pessoa passaram fome. Elas simplesmente não conseguiam comer sem ter onde exibir a foto do prato embelezado pelos filtros que deixam até miojo com cara de comida fina.

Quando alguém que eu sigo no Instagram vai a uma festa de casamento então, eu sempre acabo sabendo todos os detalhes do buffet. Desnecesário? Eu acho. Mas eu sou old school e ainda acho um charme gente que consegue guardar um pouco de mistério de si mesma num tempo de tanta superexposição.

 

 

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Barbie e Ken, um casal mais que perfeito*

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*Essa é uma matéria que fiz para a Tribuna do Norte. Hoje é o último dia da exposição, então achei bacana compartilhar aqui no blog. Afinal, não tem como não associar a boneca ao mundo da moda, não é? 😀

Esse é o ultimo fim de semana para conferir a exposição “Barbie & Ken – O Casal Perfeito” no Natal Shopping. A exposição fez parte das comemorações do shopping para o mês dos namorados, e conta a história do romance do casal de bonecos mais famosos do mundo.

Estão expostos 150 exemplares, alguns raríssimos, como a primeira Barbie – do ano de 1959 – e o primeiro Ken, de 1961.

O visitante pode acompanhar a evolução da boneca, que seguiu as mudanças sociais nos últimos 50 anos. O início do romance com o Ken, as amigas, a família, os figurinos, as profissões e até mesmo o divórcio e a reconciliação da Barbie com o Ken, seu eterno amor.

As edições especiais também são destaque, como as Barbies inspiradas em estrelas de Hollywood e em personagens do cinema.

Barbie Ken inspirados em Mad Men – Os meus preferidos!!!

Acervo

O acervo que está em Natal pertence ao colecionador paulista Carlos Keffer, que organiza exposições da Barbie em todo o Brasil. É apenas uma pequena parcela da coleção dele, que chega a 900 exemplares.

Carlos começou a coleção há 16 anos, quando comprou uma Barbie inspirada na personagem de Audrey Hepburn no filme My Fair Lady (Minha Bela Dama, em português). Carlos, que na época ainda atuava como psicólogo em São Paulo, ficou encantado com a riqueza de detalhes da reprodução. O figurino era uma réplica perfeita de um dos vestidos usados por Audrey no filme, que inclusive rendeu 2 Oscars ao genial figurinista e fotógrafo Cecil Beaton em 1964.

My Fair Lady – Linda!

“Até os anos 1990, as bonecas eram feitas para criança mesmo. Foi só nos anos1990 que a indústria identificou que existia um público adulto colecionador para consumir essas edições especiais. Depois de comprar essa primeira|Barbie My Fair Lady, passei a procurar outras. Naquela época não existia essa facilidade de comprar pela internet, então eu tinha que viajar para abastecer minha coleção. Mas a partir daí não parei mais”, conta o ex-psicologo, que hoje é produtor e curador de exposições. Hoje Carlos é o único colecionador brsileiro a ter um  exemplar da primeira Barbie fabricada na história. A Boneca é de 1959, e para consegui-la o colecionador teve que fazer o que definiu como “uma pequena loucura”:

“Alguns exemplares raros são caros. Encontrei essa por exemplo com uma colecionadora americana e vendi meu carro na época para compra-la. Foi uma pequena loucura, mas valeu a pena. Hoje eu sou o úncio colecionador brasileiro a ter um exemplar da primeira Barbie”, comemora.

A primeira exposição aconteceu 10 anos atrás, quando uma professora do SENAC viu as bonecas e constatou que os figurinos eram uma verdadeira aula de história da moda. Dos anos 50 aos dias atuais, a Barbie acompanhou todas as transformações da indumentária feminina. O romantismo do final da década de 50 e o futurismo dos anos 60; a moda hippie dos 70, o exagero e a opulência dos anos 80. Até o minimalismo da última década do século XX e os dias atuais. Está tudo muito bem documentado nos vestidos, biquínis, cabelos, sapatos e acessórios das bonecas.

Olha a Scarlett O’Hara de E o Vento Levou… esse vestido é um sonho!

As exposições de Carlos Keffer já passaram por 15 estados brasileiros e já foram vistas por mais de 12 milhões de pessoas.

Curiosidades

– O nome completo de Barbie é Barbie Millicent Roberts. Seus pais se chamam George e Margaret Roberts. Barbie nasceu na cidade de Willows no Estado de Wisconsin, nos Estados Unidos

– Mais de um bilhão de bonecas Barbie já foram vendidas, em mais de 140 países. Os Estados Unidos são os campeões de venda e hoje, em segundo lugar, já está o Brasil.

– Se todas as bonecas Barbie ficassem deitadas lado a lado elas dariam a volta na Terra mais do que sete vezes.

– Barbie já teve mais de um bilhão de pares de sapatos.

– Ken, o eterno namorado de Barbie, fez sua estreia em 1961, dois anos depois do lançamento de Barbie.

– A primeira amiga negra de Barbie foi Christie, em 1968.

– Em 1997 foi lançada Becky, a primeira amiga paraplégica de Barbie.

– As melhores amigas de Barbie hoje são Christie, sua amiga negra, e Teresa, sua amiga hispânica.

– A primeira Barbie negra foi lançada em 1980. Ela foi vestida por uma estilista negra, Kitty Black Perkins.

– Em 1976, durante as comemorações do bicentenário da independência dos Estados Unidos, algumas bonecas Barbie foram lacradas em uma cápsula do tempo, a serem abertas em 2076.

–  Barbie foi candidata a Presidente dos Estados Unidos em 1992, com uma plataforma de oportunidades para meninas, excelência educacional e direitos dos animais.

–  A criadora de Barbie, Ruth Handler, nasceu em 1916 e veio a falecer em 2002, aos 85 anos de idade.

–  O nome de Barbie e Ken são na verdade apelidos dos filhos de Ruth Handler: Bárbara e Kenneth. Bárbara Handler tem 70 anos em 2011.

–  Barbie teve mais de 120 profissões em sua vida.

–  A Barbie mais vendida de todos os tempos foi a Barbie Cabelos Super-Longos (Totally Hair), com cabelos até os pés. Foram vendidas 10 milhões de unidades desta boneca somente em 1992.

Essa foi a Barbie mais vendida do mundo, e eu tive uma!  Lembro demais desses cabelos, fiz miséria com eles! kkkk

E aí gente, vocês curtiram Barbie também? 😀

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